PATRÍCIA CAMPOS MELLO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Development Finance Corporation, banco de desenvolvimento estabelecido em dezembro do ano passado pelo governo dos EUA para focar em prioridades geopolíticas, está avaliando 15 projetos em conjunto com o BNDES, segundo o embaixador americano Todd Chapman.
O DFC, segundo Chapman, poderá financiar empresas não americanas em casos de interesse de segurança nacional para os EUA. Isso inclui financiar projetos de infraestrutura para o 5G no Brasil.
“Já conversei com o presidente do Bndes (Gustavo Montezano) e queremos trabalhar muito em parceria com o banco”, disse Chapman. “Já temos mais de 15 projetos em análise.”
Os EUA vêm pressionando o Brasil e outros aliados a não permitir que a chinesa Huawei forneça equipamentos para a infraestrutura das operadoras de telefonia que participarão dos leilões de 5G no país.
Os Estados Unidos argumentam que, segundo a legislação chinesa, a Huawei é obrigada a compartilhar todas as suas informações com o partido comunista Chinês. Isso representaria uma ameaça à segurança nacional e afetaria a capacidade do governo americano de compartilhar inteligência com os países que têm infraestrutura Huawei. Também poderia inibir investimentos de algumas empresas americanas que temem roubo de propriedade intelectual pela China, como as farmacêuticas.
A China, no entanto, normalmente oferece financiamentos altamente subsidiados pelo China Development Bank para a venda dos equipamentos da Huawei.
O DFC é uma tentativa dos EUA de se contrapor a isso e também oferecer financiamento para alternativas não-chinesas na infraestrutura de telecomunicações.
Normalmente, um banco de desenvolvimento, como o antigo EximBank americano, só financia as empresas do próprio país em projetos -por exemplo, adianta à empresa fornecedora americana o pagamento que será feito a prazo por um governo estrangeiro.
Como o banco de desenvolvimento americano recebeu autorização para financiar também empresas de outros países, poderá fazer projetos por exemplo, com a finlandesa Nokia e a sueca Ericsson em eventuais vendas para a infraestrutura do 5G no Brasil.
O governo americano aumentou a autorização de captação do DFC de US$ 30 bilhões para US$ 60 bilhões para aumentar seu poder de fogo.
Internacional
Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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