LARISSA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Banco Central regulamentou, nesta segunda-feira (4), o open banking, ou Sistema Financeiro Aberto, plataforma pela qual o consumidor poderá compartilhar seus dados financeiros com outras instituições em busca de condições de crédito melhores.
O objetivo é que o cliente consiga empréstimos mais baratos, o que aumenta a concorrência no setor.
Na prática, por meio de uma plataforma, ele terá acesso aos produtos financeiros de outras instituições e poderá escolher o mais vantajoso. Para isso, ele precisará ceder dados pessoais e bancários.
O consumidor poderá escolher se quer ou não compartilhar suas informações.
“A regulamentação do open banking era tema prioritário. [O sistema] entre outros objetivos visa empoderar o consumidor de produtos financeiros. Cabe a ele compartilhar ou não suas informações com agentes do ecossistema”, disse o diretor de Regulação do BC, Otávio Damaso.
Para Damaso, a medida pode ajudar a reduzir spread -diferença entre a taxa de captação de recursos e a taxa cobrada em financiamentos.
“A instituição pode oferecer o serviço a ele e pedir o consentimento, ou ele mesmo pode ir atrás do produto e pedir que seus dados sejam compartilhados”, disse João André Pereira, chefe do Departamento de Regulação do BC.
Apenas os grandes bancos serão obrigados a entrar no sistema.
Já os menores e outras empresas, como administradoras de meios de pagamentos e fintechs, poderão optar por participar, desde que também forneçam informações.
A plataforma será gerida pelo próprio mercado, mas terá de seguir o padrão estabelecido pela autoridade monetária.
“A medida incentiva a inovação financeira, principalmente para as fintechs [empresas de tecnologia ligadas ao setor financeiro], e pode aumentar competitividade e eficiência do segmento”, disse Damaso.
O BC ainda publicará regra para determinar qual será o nível de detalhamento das informações que serão compartilhadas.
A implementação do open banking será feita em fases. A primeira entrará em vigor em 30 de novembro, quando os bancos terão de fornecer informações de seus produtos e serviços, além de canais de atendimento.
Depois, será feito o compartilhamento entre instituições participantes de informações de cadastro de clientes e de representantes, assim como de dados de transações dos consumidores.
Esta segunda fase começará a valer a partir de maio de 2021.
Em agosto de 2021, os bancos começarão a compartilhar serviços de pagamentos e a implementação termina em outubro do mesmo ano, com a expansão do escopo de dados para operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência complementar aberta, por exemplo.
Outros países já adotaram o open banking, como Reino Unido e Austrália.
“Aqui, o mercado fará autorregulação atendendo ao mínimo de dados e serviços determinado pelo regulador”, disse Pereira.
Pela norma, as instituições poderão fazer 120 acessos gratuitos por mês dos dados transacionais dos clientes e dois acessos por semana de dados cadastrais. Os dados de pagamentos serão ilimitados.
O cronograma de implementação da medida não foi alterado por causa da pandemia do novo coronavírus.
“Pagamentos instantâneos e open banking são estruturantes, e o BC já permitiu a extensão de prazo de outras agendas, mas a decisão para esses dois pilares é manter cronograma, acreditamos que é totalmente factível de execução neste período”, disse o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, João Manoel Pinho de Mello.
DUPLICATA
O BC também regulamentou a duplicata eletrônica.
Autorizada em lei em dezembro de 2018, a medida aguardava norma do CMN (Conselho Monetário Nacional) e da autoridade monetária para ser operacionalizada.
A regra determina que as duplicatas sejam registradas em ambiente digital centralizado. Antes, os títulos eram emitidos em papel e eram dispersos.
A duplicata é um título emitido a partir da comercialização de uma mercadoria ou serviço a prazo. Na operação, o vendedor pode extrair uma duplicata. Sua emissão é facultativa, mas é uma opção para o credor que quer fazer o crédito circular.
O documento é um comprovante do valor a receber.
“Da forma como é hoje, a duplicata não contribui para o mercado de crédito. Ela não é formalizada e traz série de questionamentos quanto à segurança e à duplicidade, por isso, os bancos não a utilizam como garantia”, disse Damaso.
Com a mudança, o título será registrado e monitorado em ambiente digital, que será gerenciado por uma entidade escrituradora regulada e fiscalizada pelo BC.
A duplicata passa a ser um ativo financeiro e poderá ser dada em garantia de empréstimo. “A nova regra traz diminuição de taxas de juros, porque aumenta a qualidade da garantia”, afirmou o diretor.
A autoridade monetária não tem estimativa de potencial de geração de crédito da medida.
Ainda será aprovada uma convenção específica entre as escrituradoras. Para empresas de grande porte (faturamento anual acima de R$ 300 milhões), a medida entra em vigor a partir de 360 dias após a aprovação, pelo BC, da convenção.
Para empresas de médio porte (faturamento anual entre R$ 4,8 milhões e R$ 300 milhões), a medida começa a valer 540 dias após a aprovação da convenção, e, para empresas de pequeno porte (faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões), 720 dias depois da aprovação.
Economia
Sábado, 6 de junho de 2026
| Dólar | R$ 5,15 | -0,385% |
| Peso AR | R$ 0,00 | 0,000% |
| Euro | R$ 5,96 | 0,000% |
| Bitcoin | R$ 332.005,45 | -1,232% |
Gestão Nunes quer conceder Praça Roosevelt, no centro de SP, à iniciativa privada por 20 anos
A Prefeitura de São Paulo pretende conceder a Praça Franklin Roosevelt à iniciativa privada, com contrato de 20 anos para a operação, gestão, manutenção, exploração comercial e “ativação sociocultural”. O espaço é um dos mais frequentados do centro paulistano, inclusive à noite, pela proximidade de bares, teatros e da rua Augusta.A gestão Ricardo Nunes (MDB)...
Política
CBF sela acordo, e jogadores podem ficar com até 70% da premiação
A seleção brasileira viajou aos Estados Unidos com o modelo de premiação definido para a Copa do Mundo.A lógica é a seguinte: a CBF tem um valor que ganhará da Fifa pela colocação final no Mundial, e um percentual disso vai para a delegação.Do que a delegação terá direito a receber (dependendo de quão longe...
Esportes
Brasileiro ainda vê câncer como destino, e não como doença evitável, mostra pesquisa
Um em cada quatro brasileiros (27%) ainda não sabe que o câncer pode ser prevenido, segundo um levantamento inédito sobre o que a população sabe, pensa e faz em relação à doença. O país deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativas do Inca (Instituto...
Economia
Entenda em 7 pontos as novas tarifas de Trump e o que pode acontecer com o Brasil
A proposta do governo Donald Trump de impor uma nova tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros é resultado de uma investigação aberta há quase um ano pelos Estados Unidos. Em julho de 2025, o governo Trump abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio...
Economia
Tarcísio defende autonomia da polícia e diz não interferir, um dia após críticas de Nunes e Flávio
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou nesta terça-feira (2) que a Polícia de São Paulo tem autonomia para fazer as suas investigações, um dia após a operação que fez buscas em endereços ligados à produtora do filme “Dark Horse”, que trata da vida de Jair Bolsonaro (PL), e em uma secretaria da Prefeitura de...
Política
Plantio de trigo avança, mas setor destaca incertezas com qualidade e clima
Avanço do plantio ocorre em meio a incertezas climáticas, margens apertadas e expectativa de maior necessidade de importaçõesO plantio da nova safra de trigo brasileira alcançou 41,1% da área prevista, segundo o monitoramento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento, em um momento em que produtores e agentes da cadeia acompanham com preocupação a redução da...
Agronegócio
Presidente da Bolívia demite mais dois ministros em meio a protestos massivos
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, demitiu nesta terça-feira (2) o ministro da Defesa, Marcelo Salinas, e a ministra da Educação, Beatriz García, em meio à intensa onda de protestos que paralisa o país andino há semanas.Salinas será substituídio por Ernesto Justiniano, que era chefe do combate ao narcotráfico no país e estava à frente...
No Mundo
