No Mundo
Quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Avião ucraniano com armas era alvo de drone na Alemanha, diz mídia

O avião de carga ucraniano ao lado do qual foi encontrado um drone com explosivos na Alemanha estava carregado de armas, segundo a apuração preliminar da polícia local.
Diversos órgãos da mídia alemã, como o jornal Süddeutsche Zeitung e as redes NDR e WDR, divulgaram a informação nesta quinta-feira (6).
O incidente ocorreu na quarta (5), quando trabalhadores do aeroporto de Leipzig-Halle descobriram o aparelho ao lado de um An-124, um dos maiores aviões de transporte do mundo, operado pela Antonov Airlines.
A empresa de logística tinha sua base próxima de Kiev, mas ela foi destruída no início da invasão russa de 2022. Além disso, o espaço aéreo do país está fechado para uso comercial. Com isso, passou a usar o aeroporto alemão como centro de operações, como a gigante DHL, maior companhia do setor no mundo.
Ainda não se sabe a natureza da carga: se algum material vindo da Ucrânia ou, como parece mais provável, armas ocidentais que seriam levadas para o país em guerra. Nesse cenário, o An-124 provavelmente pousaria na Polônia e seguiria dali por terra ou por um voo arriscado.
Se a segunda hipótese for confirmada, terá sido a primeira tentativa de ataque contra uma linha de suprimento de membros da aliança militar Otan para auxiliar Kiev na guerra fora do território ucraniano.
Segundo os relatos da mídia alemã, a análise do explosivo carregado pelo quadricóptero mostrou que ele era de alta potência e uso militar, e não material caseiro feito com gasolina e fertilizantes, como havia sido dito inicialmente.
Como se trata do chamado ataque híbrido, desenhado para ter a autoria negada, a acusação mais óbvia contra a Rússia tende a ficar apenas na retórica. O Kremlin, que não comentou o caso alemão, já disse diversas vezes que tais insinuações são apenas preconceito russofóbico e propaganda.
A polícia alemã, que vasculhou o aeroporto atrás de mais explosivos nesta quinta, também procura os restos do objeto que atingiu um Boeing 757-200F de carga da DHL que decolou de Leipzig pouco antes da meia-noite de terça (4) para quarta. A suspeita é de que se tratava de outro drone, e o avião desviou sua rota para Hannover, onde pousou em segurança.
Os incidentes reacenderam a preocupação europeia com o uso de drones em seu território. Um estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, analisou 144 ocorrências de 2024 a 2026, concluindo que elas estavam ligadas a uma campanha russa de teste das capacidades defensivas da Otan.
O país mais afetado pelos drones foi justamente a Alemanha, com 56 incidentes relatados. No caso de Leipzig, o aeroporto teve 19 voos desviados até restabelecer suas operações.
Um sinal da reação europeia, ainda que o governo alemão não tenha feito nenhuma acusação a Moscou, veio da Lituânia nesta quinta.
O ministro da Defesa do país, Robertas Kaunas, afirmou que seu serviço de inteligência acredita que a Rússia pode usar drones capturados da Ucrânia para lançar ataques contra os três Estados Bálticos a Lituânia, a Letônia e a Estônia, que fizeram parte da União Soviética e estão na linha de frente do atrito com o Kremlin.
Segundo Kaunas, o chamado ataque de “bandeira falsa” seria uma forma de reduzir o apoio a Kiev. Nos últimos meses, alguns drones ucranianos caíram na área do Báltico, mas até aqui os casos foram considerados acidentes. A Romênia e a Polônia também foram afetadas por drones de ambos os rivais.
No campo militar, a Ucrânia continuou nesta quinta sua campanha com drones de longa distância contra os russos, matando duas pessoas na região de Briansk, atingindo duas refinarias e um depósito da rede de comércio online Wildberries.
Na véspera, Kiev havia sofrido um ataque com mísseis contra infraestrutura comercial análoga à atingida na Rússia, mudando o patamar da guerra, que vive sua fase mais violenta e mortífera para civis desde a eclosão do conflito. Dezessete pessoas morreram no bombardeio à capital.

Fonte: FolhaPress