No Mundo
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Apoio do Egito à Arábia Saudita é declaração de guerra, dizem houthis

O grupo houthi do Iêmen disse nesta terça-feira (27) que o apoio militar declarado pelo Egito à Arábia Saudita equivale a uma declaração de guerra aos rebeldes alinhados ao Irã no Iêmen.
Segundo Mohammed Ali al-Houthi, integrante do comando político do grupo, “é realmente notável que, enquanto essas pessoas discutem o que chamam de paz na região, o Parlamento do Egito declare apoio para a dita autodefesa do Reino da Arábia Saudita”.
“Fazendo isso, eles declaram guerra contra a República do Iêmen”, completou em uma postagem no Telegram, remetendo ao nome que os rebeldes adotaram para o governo que estabeleceram no oeste do Iêmen a partir da guerra civil iniciada em 2014.
Os sauditas apoiam o governo expulso da capital, Sanaa, hoje centrado no porto de Áden, no sul do país. Com a guerra entre Estados Unidos, Israel e o Irã, os houthis passaram a atacar pontualmente o Estado judeu, mas o confronto no Iêmen escalou a partir de julho.
Forças do governo reconhecido internacionalmente e de Riad fizeram um bloqueio aéreo a Sanaa, levando a uma ofensiva houthi que tomou quase toda a costa do mar Vermelho, ameaçando a exportação de petróleo saudita para a Ásia, que estava desviada por aquela rota devido à obstrução do estreito de Hormuz pela guerra no Irã.
Houve uma contraofensiva e os houthis escalaram seus ataques a cidades e bases sauditas. Apesar de ter o sétimo maior orçamento militar do mundo, o reino é equipado para guerras mais convencionais, e não está conseguindo se defender adequadamente dos drones e mísseis dos rivais.
Com isso, aliados dos sauditas passaram a oferecer ajuda para a defesa do país. Franceses e britânicos enviaram baterias antiaéreas e caças, e a cláusula de defesa mútua do pacto com Turquia e Paquistão, recém-implementado, foi acionada.
Agora é a vez do Egito, que namora a entrada na aliança tripartite criada em agosto, prestar apoio aos sauditas, numa decisão anunciada na segunda (26). Não está claro como ele irá ocorrer.
Enquanto isso, a violência segue em alta. Os houthis atacaram o Ministério da Defesa em Riad com mísseis, interceptados, mas cujos destroços causaram danos segundo o governo local, sem especificar quais.
Os rebeldes também disseram ter afastado uma tentativa de ataque a suas posições na costa, junto ao estreito de Bab el-Mandeb, e lançaram mísseis e drones contra uma base aérea no sul do país vizinho.

Fonte: FolhaPress