No Mundo
Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Melania Trump mediou trégua em cidade ocupada na Ucrânia, dizem EUA

Casa Branca anunciou nesta sexta-feira (23) que a primeira-dama Melania Trump “mediou e assegurou” um cessar-fogo temporário na região em torno da cidade ucraniana ocupada pelos russos de Olechki, cujos moradores remanescentes vivem uma crise humanitária que mobilizou até o papa Leão 14.
A trégua, disse o governo Trump, irá ocorrer a partir do dia 29 para abrir um corredor de ajuda aos cerca de 2.000 moradores remanescentes da cidade, que tinha 24 mil habitantes antes da guerra.
Não ficou claro como Melania, que já havia intercedido junto a Vladimir Putin acerca da repatriação de crianças ucranianas, agiu. A situação em Olechki vem chamando a atenção internacional nas últimas semanas.
A cidade fica na margem oposta de Kherson, capital da província homônima. A região está ocupada pelos russos do lado direito do rio Dnieper, e parou de receber suprimentos por parte dos ucranianos. Além disso, os intensos combates impedem a chegada de ajuda humanitária russa.
Com isso, o papa ligou para Putin e para Volodimir Zelenski para pedir uma trégua pontual. Para a alegria de Donald Trump, aparentemente os russos, que controlam a região, preferiram agradar sua mulher.
É mais um gesto de Putin em meio ao balé diplomático para a reabertura de negociações mediadas pelos Estados Unidos com a Ucrânia. O russo, pressionado pelos ataques de Kiev a suas refinarias, que geraram uma crise de abastecimento, agora está em posição de força.
Trump voltou a adotar a posição de Moscou no conflito e, como precisa tentar baixar o preço dos combustíveis nos EUA para melhorar suas chances nas eleições legislativas de 3 de novembro, fechou um acordo para comprar diesel russo e suspendeu sanções ao país.
O governo Putin anunciou que o primeiro navio com diesel sob o novo acordo já está rumando aos EUA, carregado com 40 mil toneladas do derivado de petróleo.
Além disso, os EUA cortaram alguns alertas antecipados de ataques com mísseis balísticos russos, lembrando Kiev de sua dependência dessa tecnologia. E as limitações ao uso da rede de satélite Starshield, versão militar do Starlink de Elon Musk, voltaram a ser relatadas nesta sexta.
Na véspera, o dado disponível é de que o sinal estava normal, e havia apenas a dúvida sobre quem tinha ordenado a degradação do serviço: se Musk ou a Casa Branca. Ambos negam.
Nesta semana, o enviado de Trump Steve Witkoff conversou com os dois presidentes rivais e ficou acertada a volta das negociações de paz, sob olhares céticos dos aliados europeus de Zelenski. Segundo o Kremlin anunciou nesta sexta, elas ocorrerão em novembro em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Em outro gesto na área da diplomacia, Rússia e Ucrânia trocaram 270 prisioneiros de guerra de cada lado também nesta sexta.
A guerra em si, até porque é a praxe dos rivais em momentos que antecedem negociações buscar uma posição de força, segue em alta intensidade.
Pela primeira vez no conflito, um aeroporto de Moscou teve de ser evacuado devido à ameaça de drones ucranianos. O terminal de Cheremetievo, 1 dos 4 que servem a capital, foi esvaziado às pressas na tarde desta sexta (manhã no Brasil).
Antes, os aeroportos foram fechados inúmeras vezes e tiveram voos desviados, mas as ameaças nunca chegaram tão perto, aparentemente.
Na mão contrária, os russos voltaram a bombardear Kiev e outras cidades com mísseis balísticos na madrugada, e nesta manhã um drone que a Romênia disse ser de Moscou atingiu um navio na costa do país no mar Negro. A embarcação graneleira afundou, matando ao menos um marinheiro.
Na quinta (22), a aliança militar Otan havia dito que iria reforçar com aviões de patrulha e drones as rotas marítimas da região, mas isso não demoveu os russos, segundo o relato romeno. O Kremlin não comentou.

Fonte: FolhaPress