No Mundo
Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Zelenski desafia Trump e retoma ataque a refinarias russas

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, ordenou a volta dos ataques a refinarias russas, desafiando o colega americano Donald Trump, que havia anunciado uma trégua nesse tipo de ação. Ao menos duas instalações foram atingidas por drones nesta quinta-feira (15).
“Acabou”, disse Zelenski sobre a trégua ao jornal britânico Financial Times. No X, o presidente criticou os Estados Unidos: “Nós precisamos de honestidade dos nossos parceiros nesta guerra. É importante que todos nos EUA não fiquem do lado agressor”.
O Kremlin aproveitou a decisão para criticar Kiev, apesar de as forças de Vladimir Putin não terem encerrado os ataques ao sistema energético do vizinho após Trump ter anunciado a trégua parcial visando a exatamente isso.
Segundo o porta-voz Dmitri Peskov, isso vai “em séria contradição com os esforços de paz dos EUA e dos negociadores americanos”. Desta forma, o governo Putin busca se colocar como parceiro de Trump aproveitando-se de uma obsessão do republicano: o preço do diesel.
A alta dos combustíveis neste ano nos EUA, um reflexo principalmente da guerra de Trump contra o Irã, virou um problema eleitoral. Segundo projeções, seu Partido Republicano deve perder o controle da Câmara e talvez do Senado na eleição de novembro.
Após adotar a retórica de que o problema eram os ataques de Kiev ao sistema energético russo, Trump costurou um acordo para que Moscou forneça até US$ 4 bilhões em diesel para os EUA e outros países na sexta passada (9).
O arranjo ainda não está claro, mas nesta quinta o governo russo disse que os primeiros carregamentos do produto começaram a sair do porto de Primorsk, no mar Báltico.
Como a Rússia conseguirá fazer as exportações ainda vivendo com filas em postos de abastecimento e racionamento é apenas parte da opacidade da situação —de todos os lados, até porque Moscou havia acusado Kiev de já ter atingido refinarias durante a trégua, algo negado por Zelenski.
Mesmo sem uma admissão formal de Trump, duas medidas da sua administração aumentaram a pressão sobre Zelenski nesta semana. Primeiro, ao menos dois ataques com mísseis balísticos russos não tiveram o usual aviso prévio dos sistemas de vigilância e satélites americanos, gerando destruição e morte em Kiev.
Depois, foi a vez de a versão militar do sistema de comunicação Starlink parar de funcionar em algumas condições na linha de frente. Isso gerou a suspensão de diversas operações, segundo o governo Zelenski, que depende da constelação de satélites de Elon Musk.
O bilionário disse que a responsabilidade era de seu governo, pois o Starshield, a variante para ações ofensivas do Starlink, é gerido pelas forças dos EUA. Nesta madrugada, ele ainda postou, a exemplo do ex-chefe Trump, que “está na hora” de Zelenski deixar a Presidência.
Resta agora saber se as duas falhas em pontos vitais da capacidade defensiva e ofensiva da Ucrânia serão usadas novamente ou se, ao estilo negociador de Trump, foram apenas um aviso. Nesta quinta, há relatos de que a operação com o Starshield na linha de frente está sendo normalizada.
Para os russos, há dúvidas sobre a durabilidade dessa parceria com os americanos, que já agiram de forma contraditória em outras ocasiões sob Trump.
Na Europa, as reações são de revolta com o americano, acusado de trair a Ucrânia mais uma vez. Ante relatos de que Trump poderia descongelar alguns ativos russos como parte de seu esforço pelo fim da guerra, o premiê alemão, Friedrich Merz, disse nesta quinta que isso seria inaceitável.
Enquanto isso, a guerra tem escalado ainda mais em seu escopo. Nesta quinta, os ucranianos atingiram com mísseis o aeródromo de Borisoglebsk, no sul russo, e disseram ter danificado de uma só vez seis aviões de ataque Su-34.
Essas máquinas são o esteio da força de ataque com bombas guiadas na linha de frente na Ucrânia. Não há confirmação dos danos, mas imagens captadas por moradores mostraram uma grande explosão na base nesta noite.
Já os russos, além de manter a rotina de bombardeio diuturno às principais cidades ucranianas, uma nova forma de ação para tentar quebrar o moral do rival, também atingiram com drones mais dois navios com produtos ucranianos no mar Negro.

Fonte: FolhaPress