Economia
Sábado, 13 de junho de 2026

BC não pode perseguir faixa superior da meta de inflação, diz Galípolo

Presidente do Banco Central lamentou ainda que, pelas projeções do boletim Focus, o BC não conseguirá cumprir esta meta de 3% durante todo o seu mandato

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, argumentou nesta terça-feira, 25, que a instituição não pode perseguir a banda superior da meta de inflação, de 4,5%, mas sim o centro do objetivo, de 3%.

“A meta não é a banda superior. A banda foi feita para que, dado que (a inflação) oferece flutuações… criou-se um ‘buffer’ para amortecer eventuais flutuações. Mas de maneira nenhuma a meta é de 4,5%”, afirmou Galípolo durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. “Tenho que perseguir uma meta de inflação de 3%”, reforçou.

Galípolo lamentou ainda que, pelas projeções do boletim Focus, o BC não conseguirá cumprir esta meta de 3% durante todo o seu mandato.

Galípolo ficará na presidência da autarquia até 31 de janeiro de 2028. No Focus, que reúne as projeções dos economistas do mercado, a expectativa é de que a inflação seja de 4,18% no fim de 2026, de 3,80% no encerramento de 2027 e de 3,50% no final de 2028 — em todos os casos, acima do centro da meta.

“As projeções do Focus mostram que o BC não vai cumprir a meta durante todo o meu mandato. Eu vou passar meu mandato inteiro sem cumprir a meta de inflação”, reconheceu.

O presidente do BC ponderou que a inflação no país está gradativamente arrefecendo, ainda que em ritmo mais lento do que a autoridade monetária gostaria.

Para ele, o cenário inflacionário está se desenvolvendo de uma forma que reduz riscos de uma queda abrupta da atividade econômica.

A autarquia tem mantido a taxa Selic em 15% ao ano, maior patamar em duas décadas, na tentativa de levar a inflação à meta. Em suas comunicações, o BC elencou o resfriamento da atividade como fator importante para cumprir seu objetivo, passando a observar sinais de moderação no período recente, embora ainda veja uma economia resiliente.

Na apresentação, Galípolo enfatizou que a obrigação do BC é usar a taxa básica de juros para alcançar a meta de inflação.

Fonte: Reuters