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Sábado, 28 de fevereiro de 2026

O que está por trás da fábrica de R$ 2,5 bilhões da Heineken no interior de MG que será uma das maiores do mundo

Planta em solo mineiro é a primeira cervejaria inaugurada pelo Grupo Heineken globalmente nos últimos cinco anos e a primeira planta construída do zero no Brasil

Boa parte do volume produzido ficará em solo mineiro, ainda que uma fatia percentual menor seja destinada para o restante do Sudeste e uma pequena parte do Estado de Goiás.

Inicialmente, a produção será somente de cervejas Heineken e Amstel, visando a estratégia de cervejas premium e puro malte. O plano de expansão deverá fazer com que outros rótulos da companhia, como a Eisenbahn, também passem a ser fabricados em Passos.

A fábrica é a primeira greenfield da Heineken no Brasil – termo técnico para designar quando um projeto é feito do zero. Desde a terraplanagem até a inauguração, nesta quinta-feira, 6, foram pouco mais de três anos.

Além disso, o projeto representa um marco para o grupo de origem holandesa: faziam cinco anos que a companhia não inaugurava nenhuma fábrica em nenhum lugar do mundo.

O investimento bilionário no Brasil não é à toa. Além de ser a geografia mais importante em todo o mundo para o Grupo Heineken, a dominância das marcas do portfólio aumentou ano a ano desde que a empresa decidiu entrar no país, em meados de 2010.

A empresa ostenta liderança no segmento segmento de puro malte, com 66,5% de market share em 2025 até então, ainda mostrando um crescimento ante os 62% do ano anterior.

Esse crescimento acompanha o salto no segmento de cervejas premium, que saiu de 4% em meados de 2012 para atuais 24% – sendo que ocorreu um aumento de 4 pontos percentuais (p.p.) de 2024 para 2025.

Desde 2019 a empresa investiu R$ 6 bilhões no Brasil, incluindo os R$ 2,5 bilhões desta fábrica localizada em Minas Gerais – e outras cifras como R$ 1,5 bilhão para fábrica de Ponta Grossa (PR).

A fábrica ‘mais verde’ da Heineken

Mantendo o ESG como uma das prioridades, a fábrica almeja ser referência global no que tange ao consumo de água. O parque fabril opera com energia proveniente de fontes renováveis, utiliza caldeiras de biomassa para geração de energia térmica e conta com sistemas avançados de reaproveitamento de água – que conseguem cortar em 30% o consumo hídrico por hectolitro produzido. Além disso, todo o efluente é tratado integralmente.

O aspecto ESG, além disso, se conecta com o foco na população regional.

Breno Aguiar, Gerente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social relata que 60% do consumo de água da cidade de Passos está atrelado ao Ribeirão Bocaina, que abrange uma área de 457,9 km²

“Você tem comunidades rurais morando às margens dessa bacia hidrográfica. Nos promovemos melhorias. Víamos onde existia um proprietário rural que não tinha esgoto, e então a Heineken foi até lá para implementar biodigestores”, disse, em coletiva de imprensa na quarta-feira, 5.

Heineken; Fábrica
Fábio Rezende

A iniciativa foi batizada de Projeto Bocaina, e apoia propriedades rurais na proteção de nascentes e recarga hídrica, além de parcerias com a SOS Mata Atlântica.

No mesmo sentido, por a cidade ser um polo moveleiro e ter problemas relativos aos rejeitos, a fábrica passou a coletar cavaco de madeira de fornecedores para reaproveitá-los em suas duas caldeiras de biomassa – equipamentos que geram calor e vapor a partir da queima de combustíveis orgânicos renováveis.

O projeto também injetou cifras expressivas na economia local.

“Tivemos um total de 15 grandes contratos, além de dezenas de companhias subcontratadas. Chegamos a ter um pico 2,3 mil pessoas trabalhando aqui. Isso mobilizou 200 alojamentos na cidade”, comenta o diretor de projetos da cervejaria no Brasil, Sanção Lamas.

No total, a empresa estima um total de 7 milhões de homem-hora para o projeto.

Fonte: IstoéDinheiro