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PT planeja levar militantes de outros estados a SP para lotar ato de Lula em estádio e evitar fiasco

O grupo do PT mais próximo do presidente Lula (PT) quer mobilizar apoiadores de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, além de São Paulo, para engrossar a plateia do lançamento da candidatura de reeleição do petista. A medida visa evitar espaços vazios no local, que poderiam demonstrar uma fraqueza de Lula na abertura de uma campanha eleitoral disputada.
Se a organização for bem-sucedida e conseguir lotar o estádio, serão produzidas imagens do petista discursando e sendo saudado por uma multidão. As fotos ajudariam Lula a mostrar ao eleitorado que tem apoio popular.
O receio dos organizadores se deve ao local escolhido para o ato: o estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP).
Petistas envolvidos na organização ouvidos pela reportagem têm estimativas diferentes de quantas pessoas são necessárias para lotar as arquibancadas e o gramado. Os números vão de 20 mil a 30 mil –as arquibancadas têm capacidade para pouco mais de 15 mil espectadores, mas em jogos do São Bernardo pela Série B a lotação foi reduzida para 13 mil pessoas por questões de segurança.
Lula e seu grupo político querem reconstituir, quase 50 anos depois, as cenas que levaram o hoje presidente da República ao cenário político nacional. Então dirigente sindical, ele presidiu assembleias grevistas no mesmo estádio no final dos anos 1970.
O ato está sendo pensado para contar a história de Lula da perspectiva petista e carregar o simbolismo de o presidente abrir sua última campanha eleitoral no lugar onde emergiu para a política. Ele tem 80 anos e deverá se aposentar das eleições depois da disputa deste ano.
Pessoas próximas ao presidente disseram que uma das prioridades de Lula tem sido a de resgatar a imagem do PT da época na qual foi fundado. O intuito é o de reaproximar o partido das ruas e, por isso, reforçar que Lula surgiu como um líder ligado a questões trabalhistas é visto como algo necessário.
Líderes políticos aliados de Lula de diversos estados e partidos devem ser convidados para o evento. A cúpula petista, porém, acredita que quase todos os políticos presentes serão paulistas.
O grupo do presidente cogitou lançar a candidatura no fim de abril, durante o congresso do PT. Lula, porém, vetou a ideia. Durante quase todo o primeiro semestre deste ano, o governo do presidente teve desaprovação maior que a aprovação, de acordo com as pesquisas de opinião. O chefe do governo queria lançar sua candidatura em um período mais favorável em relação à popularidade.
Lula passou a fazer diversas viagens para divulgar sua gestão e lançou programas com apelo popular, como o novo Desenrola. Pesquisa Quaest divulgada no meio de julho mostrou a aprovação do governo petista numericamente à frente da reprovação pela primeira vez desde o fim de 2024.
O chefe do governo deve dar atenção especial a São Paulo nos últimos dias de pré-campanha e no início da campanha, que começa oficialmente em 16 de agosto. O estado tem cerca de 34 milhões de eleitores e responde, sozinho, por 21% do eleitorado brasileiro, podendo decidir a eleição nacional.
Em 2022, Lula teve 44,8% dos votos de São Paulo no segundo turno, contra 55,2% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A avaliação do PT é que o desempenho precisa ser ao menos repetido para viabilizar uma vitória contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair e principal pré-candidato de oposição.
O governador, o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), é opositor de Lula e poderá colocar a máquina estadual para trabalhar contra o petista.
O presidente lidera as pesquisas eleitorais. Levantamento da Quaest divulgado nesta quarta-feira (5) mostra o petista com 39% das intenções de voto para o primeiro turno, contra 30% de Flávio Bolsonaro. Para o segundo turno, o petista tem 44% contra 39% do provável adversário. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Fonte: FolhaPress

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