
Partido Democracia Cristã substitui Aldo Rebelo por Joaquim Barbosa na corrida presidencial, gerando tensão interna
O DC (Democracia Cristã) confirmou oficialmente, neste sábado (16), a pré-candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República. Segundo apuração do analista de política da CNN Teo Cury para o CNN Novo Dia, a decisão causou um racha no partido.
A escolha do nome para a sigla representa uma substituição direta de Aldo Rebelo, que havia sido lançado pelo mesmo partido no início do ano como pré-candidato ao Palácio do Planalto.
A troca de candidatos no DC
Aldo Rebelo havia sido lançado como pré-candidato à presidência pelo Democracia Cristã em janeiro deste ano. No entanto, ao longo dos meses seguintes, as pesquisas indicaram que o nome não emplacou entre o eleitorado. “Ele não deslanchou”, afirmou Teo Cury.
Diante desse cenário, o partido se reorganizou e passou a testar internamente, por meio de pesquisas qualitativas, o nome de Joaquim Barbosa, ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) e figura de destaque no julgamento do Mensalão.
As pesquisas internas deram sinalizações positivas ao partido, que filiou Joaquim Barbosa no início de abril, ao final do prazo para definição da janela partidária. Na sexta-feira (15) anterior ao anúncio oficial, a CNN já havia noticiado que a intenção do DC era lançar Barbosa como pré-candidato. A confirmação veio no sábado (16).
Desgaste interno e reação de Aldo Rebelo
A decisão gerou tensão dentro do Democracia Cristã. Aldo Rebelo não recebeu bem a mudança e classificou o lançamento de Joaquim Barbosa como um “balão de ensaio”, afirmando ainda que Barbosa defende posições contrárias às suas. Rebelo declarou seguir sendo pré-candidato do partido, a despeito do anúncio oficial feito pela legenda.
Para além do desgaste interno, a estratégia do DC aponta para uma tentativa de consolidar uma candidatura de terceira via, que se contraponha tanto às posições de Flávio Bolsonaro (PL) quanto às de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Teo Cury, a avaliação do partido é que o perfil de Joaquim Barbosa — associado a condenações de políticos por corrupção — pode ser um ativo em um momento em que o eleitorado estaria descrente tanto com a política quanto com o STF.
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Desafios pela frente
Apesar do anúncio, a candidatura ainda enfrenta obstáculos consideráveis. Joaquim Barbosa não se pronunciou publicamente sobre a pré-candidatura, mantendo o perfil discreto que o caracteriza.
Teo Cury lembrou ainda que, em eleições anteriores, Barbosa já flertou com candidaturas presidenciais sem oficializá-las, o que gera cautela em outros partidos que avaliam integrar uma eventual chapa.
O DC busca agora contornar a crise interna e encontrar um vice para compor a chapa com Barbosa. Dois líderes de partidos do centro foram chamados para conversas iniciais, mas ainda aguardam sinais mais concretos de comprometimento do pré-candidato antes de tomar qualquer decisão. “Ainda tem um chão pela frente”, resumiu Teo Cury.
Ciro Gomes mira o governo do Ceará
Outro nome que movimenta o cenário político é o de Ciro Gomes (PSDB), que, diferentemente de eleições anteriores, não disputará a Presidência da República. Desta vez, ele se lança pré-candidato ao governo do Ceará, estado que já governou anteriormente. Se eleito, seria seu segundo mandato à frente do executivo estadual.
O lançamento da pré-candidatura de Ciro Gomes ganhou repercussão nas redes sociais após um episódio ocorrido durante seu discurso. Ao falar sobre segurança pública e combate a facções criminosas, Ciro interpretou equivocadamente um gesto feito por um apoiador na plateia como uma apologia ao Comando Vermelho e ordenou a prisão da pessoa.
Alertado por integrantes de sua equipe de que se tratava de um gesto de vitória em apoio a ele, Ciro se corrigiu e aproveitou o momento para reforçar seu discurso contra o avanço das facções criminosas no país.
No campo político, Ciro Gomes terá pela frente um desafio expressivo. Terá de enfrentar o grupo político de Camilo Santana (PT-CE), que deixou o governo do estado com alto índice de aprovação e trabalha para eleger seu sucessor.
Soma-se a isso a relação conflituosa de Ciro com seu irmão, Cid Gomes (PSB), adversário político no estado, e o flerte de Ciro com integrantes do Partido Liberal, fatores que aumentam a complexidade da disputa eleitoral no Ceará.
Fonte: CNN