
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro negou neste domingo (17) que tenha conversado com o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, disse que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem que estar mais preparada para agir em crises e afirmou que a chance de o irmão desistir da candidatura “é zero”.
“A campanha do Flávio precisa estar mais engajada em um gabinete para resolução de crises e dar uma pronta resposta”, declarou o ex-parlamentar, acrescentando que isso não seria fácil. “A gente demora um pouco para responder porque não podemos dar uma resposta qualquer, senão vamos cair em contradição, em falta de informação completa, o que é um prato cheio para nossos inimigos.”
O envolvimento de Flávio com Vorcaro foi criticado por Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Eduardo declarou que “com todo o respeito aos outros candidatos da direita, só o Flávio consegue bater o Lula. A candidatura está mantida e vamos seguir até a vitória.”
As declarações foram dadas em entrevista ao Paulo Figueiredo Show, canal do empresário bolsonarista Paulo Figueiredo.
Eduardo, que está em viagem no Bahrein, voltou a dizer que a comunicação do irmão com então dono do Master era estritamente sobre o filme. Após Figueiredo comentar que muita gente diz que ele deveria saber quem era Vorcaro, o ex-deputado fez uma comparação com alguém que contrata um financiamento da Caixa Econômica Federal.
“Não tem como [saber]. É a mesma coisa, você tem uma casa financiada pela Caixa Econômica Federal. E se prenderem aí, porque o presidente da Caixa começou a dar golpe nos financiamentos? Você vai ter alguma participação nisso? Você vai ser acusado disso?”
Figueiredo então apontou que a diferença é que Flávio tinha contato direto do Vorcaro, mas depois acrescentou que ele mesmo não sabia das suspeitas sobre o então banqueiro. Eduardo então disse que só tinha ficado sabendo delas depois.
Ele também declarou que não que nunca teve o contato de Vorcaro nem mandou uma mensagem de WhatsApp para ele. “A não ser que, sei lá, cinco anos atrás eu tenha ido a um evento e alguém tirou uma foto. Mas, categoricamente, não participei de nenhum encontro com ele, nada disso. Nem no contexto do filme”, disse.
A conversa com Figueiredo aconteceu dias após a revelação pelo site Intercept Brasil de que Flávio mantinha contato frequente com Vorcaro, já que o dono do Master se comprometeu a financiar o filme “Dark Horse” (azarão, em inglês) em homenagem a Bolsonaro.
Segundo o site, cerca de R$ 61 milhões pagos por Vorcaro chegaram ao fundo Havengate, nos EUA, por meio de uma empresa intermediária chamada Entre Investimentos e Participações.
Na entrevista, Eduardo disse que as conversas de Vorcaro mostram que o banqueiro mantinha “muita influência sob a Entre”, mas nega assinatura de contrato com o dono do Master. “Tecnicamente, não tem o Vorcaro ou o Banco Master assinando com o fundo [Havengate] ou com a produção. Isso não existe”, diz ele.
“A relação com ele [Vorcaro], até onde eu vi, é, na verdade, com ele não, né? [É] Com a Entre, que é o CNPJ que assina lá o contrato com o fundo, é estritamente profissional”, disse Eduardo a Figueiredo. “É o investidor que botou um dinheiro, a Entre, e vai receber esse dinheiro de volta quando for comercializado o produto, que é o filme ‘Dark Horse’.”
Após a divulgação da reportagem do Intercept Brasil, a Polícia Federal passou a investigar se os repasses também custearam a vida do ex-parlamentar nos EUA. Eduardo nega. Ele citou na entrevista o Pix de R$ 2 milhões que recebeu do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas não detalhou seus ganhos, sob o argumento de que não é mais uma pessoa pública.
“Não tem repasse da Havengate ao Eduardo Bolsonaro”, diz o ex-parlamentar. “Zero dinheiro do fundo e zero dinheiro do Vorcaro.”
Ele negou que seja dele o imóvel em Arlington, no Texas, comprado por um fundo ligado a Paulo Calixto, seu advogado, como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo.
O ex-deputado, que vive no Texas, disse também que não mora nem no imóvel nem na cidade. “Não comprei uma casa, não tem nada no meu nome, moro de aluguel, não moro nessa cidade que estão falando e eu moro de aluguel.”
Fonte: FolhaPress