Cultura
Sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Peça grátis ‘Filumena Marturano’ acompanha mulher que finge estar morrendo para forçar casamento

Filumena Marturano, protagonista da peça homônima, é uma ex-prostituta. Cuida dos negócios de Domênico Soriano, empresário e bon vivant com quem vive há anos. Quando descobre que ele pensa em se casar com outra moça, finge estar à beira da morte para forçar o homem a selar o matrimônio com ela -só o primeiro dos ardis a que recorre para tentar legitimar seus três filhos, que crescem em um orfanato.
É com essa peça de 1946, o texto mais conhecido do dramaturgo italiano Eduardo De Filippo (1900-1984), que o grupo Tapa faz sua primeira temporada no Teatro do Sesi, começando nesta sexta (16). É o encontro de uma companhia dedicada ao texto, com tradição de montagens fiéis de clássicos, com um espaço de vocação popular, de entrada gratuita e formador de público.
Sandra Corveloni, que faz a protagonista e atua há anos com a companhia, acredita que o texto de Filippo cai bem com a situação. “O teatro que costuma ser apresentado, muitas vezes, é tão metafórico que muita gente não alcança”, diz. “Não acho que deva ser assim. Espero que o público entenda, goste e dialogue com a Filumena, que critique, tome ou não partido.”
Sua vontade de atingir um público menos versado nos macetes do teatro não é pura generosidade. A atriz conta que leu trechos da peça para a mãe, que ela descreve como uma mulher simples do interior. “Ela se emocionou muito. Disse, nossa, eu falo essa frase que você está falando na peça. Gosto de fazer essas mulheres que vieram antes de nós porque elas ainda estão aqui”, afirma.
“Filumena Marturano” foi escrita logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em uma Itália desunida e vencida. Para Eduardo Tolentino, diretor do espetáculo e liderança do Tapa, a peça combina com o presente do Brasil.
Presente em que, ele afirma, mulheres foram eleitas com um discurso antifeminino.
“É uma peça que fala sobre conciliação, mas com transformação. Essa mulher pega a vida dela nas mãos. Não é aquela que queimou o sutiã, mas a mulher comum -delas que nascem as grandes revoluções, o resto é teoria. Não que não seja importante, mas a revolução acontece dentro do sistema, não teoricamente.”
FILUMENA MARTURANO
Teatro do Sesi (Centro Cultural Fiesp) – av. Paulista, 1.313, Bela Vista, região central. 12 anos
Estreia: sex. (16). Qui. a sáb., às 20h. Dom., às 19h. Até 20/12. Não haverá sessões em 18 e 25/10
Ingr.: grátis, com retirada pelo site sesisp.org.br

Fonte: FolhaPress