Economia
Quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Galípolo depõe à PF em inquérito sobre Banco Master

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, depôs à PF como testemunha no inquérito do Banco Master, que apura fraudes e favorecimento.

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, depôs à Polícia Federal na terça-feira, 6 de outubro, como testemunha no inquérito sobre o Banco Master. A investigação apura suspeitas de fraudes e de favorecimento à instituição por ex-servidores da autoridade monetária.

O ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, o presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual, André Esteves, e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, foram convocados para prestar esclarecimentos.

Por que Galípolo foi ouvido pela PF

Os quatro foram citados no depoimento de Paulo Sérgio Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central. Ele é investigado sob suspeita de receber vantagens financeiras de Daniel Vorcaro para favorecer o Master e nega irregularidades.

A PF apura se ex-servidores do BC prestaram uma espécie de consultoria informal ao banqueiro em troca de benefícios. O inquérito está na fase final, quando são colhidos depoimentos antes da conclusão das investigações e de eventuais indiciamentos.

Ex-dirigente relatou conversas sobre irregularidades

Em interrogatório, Souza afirmou que discutiu supostas irregularidades do Master com Galípolo e Aquino antes da liquidação do banco.

O ex-dirigente relatou ainda que, no fim de 2024, o BTG comunicou a descoberta de uma fraude bilionária envolvendo o Master em uma reunião com a presença de Campos Neto. Essas informações integram o relato de Souza à PF.

A defesa busca demonstrar que ele não favoreceu a instituição nos processos conduzidos pelo Banco Central.

Vorcaro negou favorecimento e admitiu benefício em viagem

Daniel Vorcaro prestou depoimento em 28 de agosto. Na ocasião, negou que Souza tivesse favorecido o Master nos procedimentos do BC.

O banqueiro admitiu, porém, ter feito um “agrado” ao ex-servidor, com apoio a uma viagem de sua família à Disney, nos Estados Unidos.

Banco Central realizou investigação interna

Souza e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), foram alvos de uma investigação interna do BC sobre sua atuação no caso Master.

A sindicância foi determinada por Galípolo no fim de 2025, conforme reportagem de O GLOBO publicada em janeiro de 2026. As informações levantadas foram encaminhadas à Polícia Federal.

Souza, que já havia ocupado a diretoria de Fiscalização, atuava mais recentemente como chefe-adjunto do Desup. Ele foi afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Durante sua passagem pelo BC, foi responsável por autorizar a compra do Banco Máxima por Vorcaro. A instituição passou posteriormente a se chamar Banco Master.

Belline assinou ofícios e despachos enviados pelo Banco Central ao Ministério Público Federal sobre o banco. Os depoimentos e os documentos reunidos serão considerados pela PF na conclusão do inquérito.

Fonte: IstoéDinheiro