Economia
Quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Bets: Ministério da Fazenda identifica R$ 1,3 bilhão em saldos pendentes

Ministério da Fazenda reteve R$ 1,3 bilhão em saldos de plataformas de apostas. Valores estão em 26 milhões de contas, e 40 são investigadas.

Com a interrupção completa das autorizações para funcionamento de plataformas de apostas no país, o Ministério da Fazenda informou que cerca de R$ 1,3 bilhão permanece retido em saldos de usuários. Em declaração à imprensa nesta terça-feira (6), o ministro Dario Durigan detalhou que todos os 188 sites anteriormente habilitados já estão fora do ar e ressaltou que as empresas têm até quarta-feira (7) para repassar às instituições financeiras o mapeamento dos saldos individuais por CPF.

Os dados levantados pela pasta indicam uma forte concentração dos recursos. O montante total pertence a aproximadamente 26 milhões de apostadores, mas cerca de 80% do valor (equivalente a mais de R$ 1 bilhão) está sob titularidade de apenas 200 mil pessoas — o correspondente a 1% do total de usuários. Diante de divergências e cifras atípicas, cerca de 40 contas com saldos individuais superiores a R$ 500 mil foram enviadas para apuração da Polícia Federal e do Ministério da Justiça sob suspeita de lavagem de dinheiro.

O processo de ressarcimento das quantias legítimas aos cidadãos será realizado diretamente pelas instituições financeiras onde as contas das plataformas ficavam abrigadas, entre os dias 9 e 14 de outubro, contando com o apoio da Caixa Econômica Federal caso necessário.

“Hoje foi o primeiro dia em que a gente não tem autorização nenhuma para as bets operarem no País […]. Esse volume de dinheiro da economia real passa a ficar com as famílias, o que representa um ganho direto.”

— Dario Durigan, ministro da Fazenda.

Combate às operações ilegais e pressão sobre as big techs

Além da suspensão das plataformas reguladas, o governo intensificou a repressão aos serviços informais. Segundo o balanço divulgado pelo ministério, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já efetuou o bloqueio de 11.740 sites ilegais. Paralelamente, foram enviadas notificações para a remoção de quase 3,5 mil páginas, perfis e grupos em redes sociais e aplicativos de mensagem — incluindo Facebook, Instagram, Telegram, TikTok, WhatsApp e Discord —, cuja audiência combinada alcançava 17,2 milhões de usuários.

Diante do volume de irregularidades, Durigan defendeu que a remoção de conteúdos promocionais de apostas ilegais passe a ser adotada de forma proativa pelas próprias empresas de tecnologia, integrando a política interna de segurança das plataformas digitais.

Fonte: IstoéDinheiro