
Ministro Dario Durigan nega crise no varejo, citando mudanças de mercado e juros altos como causas para dificuldades de empresas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta quinta-feira, 3, em entrevista à TV Record, que o setor do varejo não vive uma crise, mas sim um momento de adaptação. Ele pontuou, entretanto, que as taxas de juros elevadas pressionam o consumo e impactam o setor.
O que aconteceu
- Dario Durigan negou a existência de uma crise generalizada no varejo brasileiro.
- O ministro atribuiu as dificuldades de empresas varejistas a mudanças no mercado de crédito e nos hábitos de consumo.
- Juros altos foram citados como fator inibidor para o consumo de bens que dependem de financiamento.
“Não há crise. Você que nos assiste, que às vezes vê uma loja sendo fechada, vai seguir tendo opções para comprar os seus produtos, seja em outras lojas concorrentes, seja pelo mercado digital”, disse Durigan. Ele lembrou que há um apelo grande para que não haja a chamada “taxa das blusinhas”, em razão da demanda de consumidores por compras por canais digitais. “Se não fosse importante, não seria um tema de tanta relevância para a discussão nacional.”
Perguntado sobre o recente fechamento ou pedido de recuperação de grandes empresas varejistas, o ministro atribuiu isso a mudanças no mercado, seja do lado do crédito, seja nos hábitos de consumo. No crédito, ele afirmou que os cartões usados hoje pelas pessoas para fazer compras não são mais os de grandes varejistas, como no passado. Além disso, disse que a pandemia alterou o padrão de consumo da população, o que afetou essas empresas.
Por que o varejo enfrenta dificuldades?
“Foram vários movimentos que justificam a dificuldade de algumas empresas. Então, a gente não tem que entrar num Fla-Flu, porque não há crise específica na economia brasileira, que vai bem. Nós temos dificuldades e desafios que nós precisamos reconhecer”, disse Durigan, que tem se manifestado sobre a situação econômica do país.
Por fim, o ministro afirmou que o nível elevado dos juros no País também pode explicar as dificuldades enfrentadas pelos varejistas.
“Não estou dizendo que a taxa de juros não atrapalha. As empresas de varejo, em especial, têm uma margem de lucro pequena, e dependem muito de crédito para sobreviver”, afirmou Durigan. “As pessoas, quando compram o seu sofá ou seu móvel, usam crédito para não ter que desembolsar tudo de uma vez. E, quando a taxa de juros é mais alta, isso inibe essa compra e reduz o consumo”, completou.
Fonte: IstoéDinheiro
