No Mundo
Terça-feira, 21 de julho de 2026

Prefeito de Nova York desafia Trump e mantém promessa de prender Netanyahu

Zohran Mamdani reafirmou que pretende prender o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, caso ele chegue a Nova York para a Assembleia Geral da ONU.
Mamdani cita o mandado do Tribunal Penal Internacional contra Netanyahu para defender a possibilidade de prisão. “Acredito que, quando alguém é alvo de um mandado de Haia, isso deve ser levado a sério, seja Benjamin Netanyahu, Vladimir Putin ou qualquer outra pessoa”, explicou ontem a CBS News.
O prefeito afirma que seu governo seguirá as leis locais aplicáveis. A emissora americana diz ainda que ele mantém conversas com advogados a respeito da medida.
Analistas, no entanto, avaliam que o político não tem autoridade para tal. “Quem define a política externa dos Estados Unidos é o governo federal, e certamente não as cidades”, disse o reitor da Universidade Kean, David Birdsell, ao veículo. “É muito claro que o prefeito não tem autoridade para prender.”
A declaração dele ocorre mesmo após o presidente Donald Trump negar a possibilidade de prisão. “Não será preso, de forma alguma, enquanto estiver nos EUA”, defendeu o parceiro político. Em publicação na Truth Social, o republicano disse que o premiê de Israel está lutando contra o Irã, acusando o pais de matar manifestantes inocentes e soldados americanos nos últimos 47 anos.
Trump disse que a prisão deveria ocorrer para os dirigentes do Irã. “Os únicos que deveriam ser presos são aqueles que levaram o Irã a essa ESPIRAL DE MORTE E DESTRUIÇÃO sem precedentes — algo que deveria ter sido enfrentado anos atrás, por presidentes anteriores!”, escreveu.
No sábado, Mamdani disse, pela primeira vez, que estava debatendo a prisão com a equipe jurídica da cidade. Em entrevista ao New York Times, ele admitiu ainda que não tinha certeza se possuía autoridade para ordenar o Departamento de Polícia de Nova York que detenha um líder estrangeiro. “É um criminoso de guerra que foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional”, acrescentou.
O gabinete do primeiro-ministro israelense criticou o prefeito nova-iorquino. “O sr. Mamdani deveria concentrar-se em reparar o dano que suas políticas causaram a Nova York”, declarou em uma publicação no X.
Danny Danon, embaixador de Israel junto às Nações Unidas, também respondeu rapidamente a Mamdani. “Em vez de se concentrar nas suas responsabilidades como prefeito e enfrentar a crescente onda de antissemitismo na cidade, ele optou por incitar a hostilidade e gerar manchetes atacando o Estado de Israel”, escreveu nas redes sociais.

Fonte: FolhaPress