
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça-feira (18) no Senado que uma análise do histórico de juros e de inflação no Brasil nos últimos anos indica que a autoridade monetária poderia ter sido ainda mais conservadora em alguns momentos, levando a taxa básica de juros, a Selic, a níveis maiores.
“É uma verdade que a taxa de juros é ou está sistematicamente e estruturalmente mais alta que nossos semelhantes”, afirmou. “Por outro lado, de seis anos, em quatro anos a gente não cumpriu a meta. Isso sugeriria o oposto, de que o BC tenha sido pouco conversador e deveria ter estabelecido taxa de juros em um patamar ainda mais alto para cumprir a meta.”
Os anos em que houve o cumprimento da meta da inflação a que Galípolo se referia são 2020 e 2023. Nos demais, a inflação do ano ficou acima do patamar definido à época. No primeiro, ela era de 4%, com a tolerância de 1,5 ponto percentual para cima; fechou em 4,52% em 12 meses. Em 2023, a meta era de 3,25% e a variação registrada foi de 4,62%.
Galípolo disse considerar que a afirmação de que a taxa de juros está sistematicamente acima da média “não joga luz” sobre o fato de a inflação também se manter acima da meta. “Levanta uma questão mais estrututural do por que no Brasil o esforço da política monetária é maior para se conseguir o mesmo que em outros países.”
Mais recentemente, disse o presidente do BC, a inflação tinha começado a cair em resposta à taxa de juros em patamar elevado e por muito tempo. “Desde então, tivemos mais um choque de oferta”, disse. Em seis anos, foram quatro choques de oferta, apontou Galípolo, levando as projeções de inflação para cima.
Foram pandemia, guerra na Ucrânia, tarifaço e a guerra no Irã. “A cada choque de oferta, o nível de preço muda”, disse. O presidente do BC afirmou considerar que existe, na percepção pública, uma espécie de dissonância em relação ao patamar de inflação.
“Há uma inflação controlada, mas a população olha para o nível de preço que causa essa dissonância.”
Segundo ele, o grande desafio do BC no momento é lidar com dois novos choques. O primeiro é a elevação de preços do petróleo devido à guerra do Irã, e o segundo os potenciais efeitos do fenômeno climático El Niño. “[O desafio] é segregar o que é elevação de preço do choque de ofeta e o que são efeitos de segunda ordem que se propagam pela economia.”
Para Galípolo, os dados monitorados pelo BC indicam que a economia brasileira continua aquecida, e com taxa de desemprego baixa.
Fonte: FolhaPress
