
O Irã ampliou o escopo de seus ataques à infraestrutura energética dos vizinhos nesta quinta-feira (19), após receber um ultimato do presidente Donald Trump e de países árabes e islâmicos reunidos em Riad, na Arábia Saudita.
Em seu vigésimo dia, a guerra do Oriente Médio iniciada pelo americano e por Israel toma contornos dramáticos no setor energético, com o preço do gás nos mercados europeus saltando 35% nesta manhã. O petróleo, que já vinha em alta devido ao virtual fechamento do estreito de Hormuz, escala rumo aos US$ 120 o barril.
Na noite de quinta (18) e nesta madrugada, a teocracia empreendeu uma grande retaliação após Israel atingir com força instalações iranianas de extração de gás natural nos 40% que o Irã controla do maior campo do produto do mundo, cujos outros 60% são do Qatar.
A ação foi direcionada principalmente ao emirado, maior produtor do gás natural liquefeito. O alvo foi o centro de processamento e embarque da commodity de Ras Laffan, que está em chamas até agora. Segundo a estatal QatarEnergy, “os danos foram extensos” e a produção, paralisada desde o dia 2, não tem data para ser retomada.
Na noite de quinta, Trump escreveu em sua rede social que Israel não iria mais atacar o campo iraniano, que no país é chamado de Pars Sul. Mas ameaçou a teocracia.
“Se o Irã decidir de forma imprudente atacar os muito inocentes, no caso o Qatar, […] os EUA vão, com ou sem a ajuda ou o consentimento de Israel, explodir maciçamente a totalidade do campo de gás de Pars Sul”, disse o republicano na Truth Social.
Após a postagem de Trump, com Ras Laffan já tomada por labaredas desde o ataque anterior, os iranianos ainda não voltaram a atacar aquele ponto específico, mas ampliaram suas ações para novos alvos.
Pela primeira vez, alvejaram com drones o porto de Yanbu, no mar Vermelho, que é o único terminal de exportação da Arábia Saudita que dribla o gargalo do estreito de Hormuz, no golfo Pérsico, que o Irã fechou na prática com a guerra. A operação foi paralisada.
Em Yanbu chega o oleoduto Leste-Oeste, construído em 1981 justamente para evitar que os sauditas ficassem sem exportar seu principal produto devido às ameaças em Hormuz durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88). Ele foi reativado para operar com capacidade máxima agora, em meio à turbulência do mercado.
Também foi atingida uma refinaria da estatal Saudi Aramco perto de Riad. Drones também atingiram uma unidade de refino em Mina al-Ahmadi, no Kuwait, e um projetil provavelmente iraniano acertou um navio ancorado perto dos Emirados Árabes Unidos.
A crise fez com que 12 países árabes e islâmicos se reunissem na capital saudita para emitir o seu ultimato ao Irã. O comunicado pede que Teerã pare de atacar os vizinhos, “que se reservam o direito de se defender”.
Até aqui, os países atacados apenas tentam abater mísseis e drones, evitando entrar na guerra em si ao lado de americanos e israelenses. “O Irã até aqui não entendeu ou não quis entender a mensagem”, afirmou o chanceler saudita, príncipe Faisal bin Farhan.
Do lado de quem começou o conflito, os ataques contra posições no Irã continuaram. Trump causou irritação na mídia de Israel ao dizer que não sabia do bombardeio do Estado judeu contra Pars Sul, dado que diversas autoridades do país confirmaram anonimamente que a ação foi coordenada com os EUA.
Tel Aviv também prossegue com suas ações no Líbano, onde opera por terra no sul e segue bombardeando posições do grupo extremista Hezbollah, aliado de Teerã.
Fonte: FolhaPress
