Data Mercantil

Governo Tarcísio anuncia bônus de R$ 1 bilhão a professores de SP

No ano em que tenta a reeleição, o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou que vai pagar R$ 1 bilhão de bônus a mais de 188 mil professores e gestores da rede estadual de São Paulo pela melhoria nos resultados educacionais. O valor é quase o dobro do que foi pago no ano passado.
O pagamento, que já era previsto, mas cujo valor ainda não havia sido definido, foi divulgado em meio a uma paralisação da categoria, que reivindica reajuste salarial além de outras pautas. Convocada pela Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual), uma assembleia marcada para esta sexta-feira (10) vai votar se os docentes da rede estadual entram em greve.
A Secretaria de Educação, comandada por Renato Feder, informou que o valor de R$ 1 bilhão será pago em abril. Uma outra parcela, com valor ainda não definido, será paga em setembro.
“Os resultados consolidam a recuperação da aprendizagem pós-pandemia e reforçam a estratégia estruturada da gestão atual. O bônus é, portanto, a nossa maneira de reconhecer o esforço contínuo dos profissionais da rede que, diariamente, se dedicam e buscam garantir uma educação de qualidade aos nossos estudantes”, declarou Feder.
“As notícias são ainda melhores, já que, pela primeira vez, vamos bonificar nossos servidores duas vezes. A expectativa é que ultrapassemos R$ 1 bilhão com os resultados do Saeb [avaliação federal], previsto para setembro”, afirmou o secretário da Educação.
A primeira bonificação vai contemplar mais de 188 mil trabalhadores da educação e foi calculada considerando exclusivamente os resultados do Saresp, o sistema de avaliação da rede paulista.
Conforme mostrou a Folha de S. Paulo, houve avanço das notas dos estudantes em relação ao ano anterior, no entanto, o desempenho segue abaixo do esperado e em patamares similares ao de 2019, antes da pandemia.
Depois de ter reduzido o valor do bônus, Tarcísio voltou a investir na política de bonificação, criada em 2008 pelo governo José Serra (PSDB) e que se tornou uma marca de gestões tucanas.
Em 2023, no primeiro ano de mandato, o republicano destinou R$ 450 milhões para o bônus. No ano seguinte, em 2024, após queda no resultado, o governo reduziu o montante para R$ 208 milhões.
Após repercussão negativa, Tarcísio subiu o valor do bônus para R$ 544 milhões em 2025 e, agora, para cerca de R$ 1 bilhão. Os beneficiados passaram de 39,2 mil em 2024 para 159,4 mil em 2025 e para 188 mil em 2026.
Em 2021, também de olho na reeleição, o então governador João Doria (PSDB) trocou o bônus por um abono de R$ 1,5 bilhões a todos os 190 mil professores da rede, já que o Saresp do ano anterior havia sido cancelado por causa da pandemia.
Desde o ano passado o bônus tem novas regras. Até 2024, era considerado o desempenho da escola (no Saresp) como um todo, com uma divisão igual para os professores. Agora, cada um tem uma meta específica, que depende do desempenho de suas turmas na sua disciplina.
Já gestores, demais funcionários e professores de disciplinas não avaliadas pelo Saresp, como educação física e projeto de vida, recebem de acordo com o desempenho geral dos alunos da escola. O cálculo da meta também considera a frequência dos estudantes, a participação no Saresp e no Provão Paulista (novo vestibular das escolas estaduais, aplicado nas três séries do ensino médio), a vulnerabilidade socioeconômica e a quantidade de matriculados na unidade.
ENSINO MÉDIO
Mesmo sem ter divulgado o desempenho das escolas no ensino médio, a Secretaria de Educação disse que vai pagar bônus aos profissionais que atuam nessa etapa.
Nos últimos dois anos, quando foram apresentados os dados do Saresp de 2023 e 2024, a secretaria disse ter “equalizado” as médias do Provão Paulista para que fossem comparáveis às de anos anteriores com o Saresp e usadas como indicadores.
Em novembro do ano passado, a Folha de S. Paulo mostrou que a gestão Tarcísio ignorou um alerta de que não havia embasamento estatístico para usar o Provão Paulista para avaliar as escolas de São Paulo e penalizar professores e diretores.
Em fevereiro, a gestão Tarcísio anunciou que irá fazer uma nova edição do Saresp em junho deste ano apenas para os estudantes do 3º ano do ensino médio, para assim ter um instrumento que permita avaliar a evolução dessa etapa em toda a rede estadual.
Ainda assim, os dados do Provão Paulista serão usados para calcular a bonificação aos docentes.
DUAS PARCELAS
Ainda segundo a secretaria, pela primeira vez o pagamento será feito com base em duas avaliações de larga escala, o que vai possibilitar profissionais serem duplamente bonificados.
A primeira parcela considera exclusivamente os resultados do Saresp e inclui profissionais de todas as disciplinas, além de gestores e equipes de apoio das escolas que atingiram as metas estabelecidas.
A segunda, prevista para setembro, levará em conta os resultados do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) 2025, aplicado pelo governo federal, e será destinada a professores de língua portuguesa e matemática dos 5º e 9º anos do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio, além de equipes gestoras das escolas que cumprirem as metas estipuladas pela Seduc-SP.
As médias da rede estadual de São Paulo devem ser divulgadas pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), do governo federal, em agosto.
A secretaria informou que, dos mais de 188 mil servidores que receberão o bônus, 158.729 são profissionais do quadro do magistério. Na comparação com o ano passado, o número de servidores contemplados aumentou em 18%. O valor médio do pagamento é de R$ 5.066,89 por servidor.
Entre as escolas que atingiram a meta do Saresp, 3.760 conquistaram a marca ouro. Para o patamar diamante, a unidade deve também alcançar o ouro no Saeb. O atingimento duplo garante dois salários extras para os servidores.
As metas por unidade de ensino servem de baliza para estipular o valor a ser pago a docentes dos anos iniciais do ensino fundamental e de disciplinas que não estão no Saresp, como educação física e eletivas, além de gestores e profissionais do quadro de apoio e projetos.
Já para professores de disciplinas avaliadas, a apuração dos resultados é proporcional à carga horária. Para aqueles que atuam em mais de uma escola ou, ao mesmo tempo, em disciplinas avaliadas e não avaliadas (tais como matemática e educação financeira), a composição do benefício é a ponderação entre a meta escola e a meta disciplina.

Fonte: FolhaPress

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