
Investidores avaliam riscos para os Treasuries e acompanham prazo de financiamento do governo em dezembro, antes da posse do novo Congresso.
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos colocou o teto da dívida pública no radar dos investidores. A conquista da Câmara e do Senado pelo partido aumenta a possibilidade de impasses com o governo de Donald Trump nas próximas negociações fiscais.
O receio é que o limite de endividamento volte a ser usado como instrumento de pressão política. Disputas anteriores levaram a negociações de última hora e elevaram a incerteza nos mercados.
A mudança no Congresso ocorre em um ambiente de preocupação com as contas públicas. A dívida nacional dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões, contribuindo para enfraquecer a confiança nos Treasuries, os títulos do Tesouro norte-americano.
Democratas ganham poder de negociação sobre a dívida
A expectativa é que o governo não alcance o teto da dívida no curto prazo, sendo considerado improvável que isso ocorra até o fim de 2027. Ainda assim, o tema pode entrar antecipadamente nas negociações orçamentárias entre os partidos.
Sem a elevação do limite quando necessária, a capacidade do Tesouro dos EUA de cumprir suas obrigações financeiras ficaria ameaçada.
“Os democratas terão alguns trunfos decentes no que se refere ao teto da dívida”, afirmou Michael Reynolds, vice-presidente de estratégia de investimentos da Glenmede.
Para o executivo, um calote permanece distante do cenário principal. O risco para os mercados cresce, porém, conforme as negociações se aproximam de uma situação-limite.
“Do nosso ponto de vista, um cenário de default é muito improvável”, disse Reynolds. “Mas quanto mais se avançar nesse caminho de risco, mais preocupados os mercados ficarão com essa eventualidade.”
Prazo de 11 de dezembro concentra atenção no curto prazo
Antes da próxima disputa sobre o endividamento, os investidores acompanham o dia 11 de dezembro, prazo para o Congresso chegar a um acordo de financiamento do governo federal.
Analistas avaliam que os republicanos poderiam aproveitar essa negociação para tentar elevar o teto da dívida antes da posse da maioria democrata, prevista para o início de janeiro.
A hipótese permitiria ao governo antecipar a discussão ainda com a atual composição do Legislativo. Há, contudo, ceticismo sobre a viabilidade política da iniciativa.
Estrategista vê dificuldade para acordo antes da troca do Congresso
Dustin Reid, estrategista-chefe de renda fixa da Mackenzie Financial, considera pouco provável que o governo consiga aprovar o aumento durante a sessão legislativa de fim de mandato.
“O governo provavelmente gostaria de conseguir o aumento do teto da dívida em uma sessão legislativa de fim de mandato, mas duvido que isso aconteça agora, dada a magnitude da vitória dos democratas”, afirmou.
Após a eleição, analistas passaram a trabalhar com diferentes possibilidades para a trajetória fiscal: o novo equilíbrio de forças pode tanto dificultar a contenção dos déficits quanto limitar medidas que ampliem os gastos.
No curto prazo, a negociação de dezembro será o primeiro teste da relação entre o governo Trump e os democratas após o resultado eleitoral.
Fonte: IstoéDinheiro/Reuters