Data Mercantil

Totvs avança com IA e prevê crescimento na receita em 2027

Companhia apresenta cobrança por tarefas de inteligência artificial e amplia ofertas de software, nuvem e serviços financeiros.

A Totvs (TOTS3) apresentou novas formas de monetizar inteligência artificial e ampliar a receita por cliente durante seu Dia do Investidor de 2026, realizado em conjunto com o Universo Totvs. A administração sinalizou, porém, que os lançamentos ainda não estão incorporados às projeções financeiras e terão adoção gradual, com contribuição mais relevante a partir de 2027.

O JPMorgan considera que as iniciativas ampliam as oportunidades de venda para a base instalada e criam fontes adicionais de receita. O Goldman Sachs destacou a passagem da apresentação da estratégia de IA para a definição de como cobrar pelos serviços.

CORTEN reúne ofertas para ampliar receita por cliente

O principal anúncio foi o CORTEN, estrutura que integra sistemas de gestão e relacionamento com clientes. A oferta incorpora serviços financeiros e nuvem, além de inteligência artificial.

A estratégia busca aumentar a participação da Totvs nos gastos de tecnologia dos clientes. O JPMorgan identifica espaço para venda cruzada, já que parte relevante da base utiliza poucas soluções em relação ao portfólio disponível.

A integração da Linx reforça essa frente. A companhia poderá oferecer produtos da Totvs aos clientes da empresa adquirida e levar soluções da Linx à sua própria base.

TaaS terá cobrança por tarefas concluídas

A Totvs apresentou o TaaS, modelo de monetização de APIs e agentes de inteligência artificial. No caso dos agentes, a cobrança será vinculada às tarefas concluídas.

O consumo será organizado em faixas de T-Coins, convertidas em reais. Os clientes terão uma franquia mensal e pagarão pelo uso excedente.

A proposta é inserir os agentes nos processos já utilizados pelas empresas, facilitando a adoção por funcionários de diferentes áreas. Para a XP, a IA aparece como uma camada adicional de receita, preservando o papel do negócio principal de software.

O JPMorgan não espera contribuição significativa do TaaS no último trimestre de 2026. Como as ferramentas atendem a processos críticos e integrados, o banco avalia que a adoção dependerá da construção de confiança pelos clientes.

Intera e nuvem ampliam oferta de tecnologia

Os novos pacotes Intera reorganizam a comercialização de software como serviço. Há opções voltadas a finanças e marketing, além de recursos humanos. O Intera 360 reúne o conjunto completo de aplicações.

Os preços ficam entre 40% e 100% acima do pacote padrão, conforme a modalidade contratada. A cobrança combina mensalidade e consumo de determinados recursos.

A Totvs afirma que o custo total de propriedade permanece inferior ao de concorrentes como a SAP.

Na nuvem, a companhia pretende ampliar o T-Cloud para hospedar aplicações de terceiros por meio de infraestrutura como serviço. A iniciativa cria uma base para a oferta de inteligência artificial como serviço.

Conta+ integra serviços financeiros ao sistema de gestão

Na Techfin, o lançamento foi a Conta+, conta digital integrada ao sistema de gestão empresarial, inicialmente no Protheus.

A solução oferece transferências e pagamentos. Incorpora ainda crédito e antecipação de recebíveis, com a proposta de automatizar a conciliação bancária e reduzir tarefas manuais.

A companhia afirma que o uso de seus dados melhora a avaliação do risco de crédito em relação aos bancos tradicionais.

Internamente, a Totvs relatou ganhos de produtividade com IA no atendimento e na implementação de sistemas. A tecnologia passou a automatizar etapas de documentação e testes, além do carregamento de dados.

Bancos mantêm compra, mas esperam adoção gradual

O JPMorgan reiterou recomendação de compra para TOTS3, com preço-alvo de R$ 57. O Goldman Sachs manteve classificação de compra e preço-alvo de R$ 47.

As avaliações positivas consideram o potencial de monetização da base e de expansão das ofertas integradas. O impacto financeiro dependerá da velocidade de adoção pelos clientes e da conversão do uso das ferramentas em receita recorrente.

A administração espera contribuição progressiva dos lançamentos, com maior relevância a partir de 2027.

Fonte: IstoéDinheiro

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