
A usina nuclear de Paks, única da Hungria, vai interromper totalmente as operações porque o nível recorde de baixa do rio Danúbio impede a captação de água para resfriamento. A BBC News informou que o primeiro-ministro Péter Magyar anunciou a medida.
Usina de Paks usa a água do Danúbio para resfriar seus reatores, mas as entradas de captação não alcançam mais o rio. Magyar alerta que o fornecimento de energia húngaro pode ficar “crítico” a partir de segunda-feira.
O governo pediu que a população reduza o consumo de energia entre 17h e 22h. A orientação inclui evitar carregar carros elétricos e usar aparelhos de ar-condicionado nos horários de pico.
Magyar também admite um regime de desligamentos rotativos se as medidas não mantiverem o equilíbrio da rede elétrica nacional. O governo vai preparar uma lista de consumidores de eletricidade e água que poderão ter o uso limitado.
Hungria enfrenta semanas de calor intenso e pouca chuva, cenário que reduziu o Danúbio a níveis mínimos em décadas. A previsão indica temperaturas próximas de 37°C durante uma semana.
Romênia também reduziu a geração nuclear após desligar um dos dois reatores da usina de Cernavoda. A unidade fornece cerca de 20% da eletricidade do país, e a empresa estatal Nuclearelectrica tenta evitar a parada do segundo reator.
Vazão do Danúbio na entrada da Romênia caiu para 1.600 metros cúbicos por segundo na quarta-feira. A média para julho é de 4.700 metros cúbicos por segundo, informou o Instituto Nacional de Hidrologia romeno.
Navegação no Danúbio parou na Bulgária, onde 186 passageiros de um cruzeiro tiveram de ser retirados de uma embarcação encalhada. Sérvia, Romênia e Bulgária também registram níveis baixos, enquanto o rio expõe embarcações antigas e restos de animais.
Danúbio percorre 2.857 km e passa por 19 países antes de desaguar no mar Negro. O serviço climático Copernicus afirma que a Europa aquece duas vezes mais rápido que a média global, o que aumenta a pressão sobre recursos hídricos.
Fonte: FolhaPress