Data Mercantil

Recuperação judicial no agronegócio “dispara” 21,9% no 1º tri de 2026

Levantamento da Serasa Experian revela 474 pedidos no setor entre janeiro e março, impulsionados pela disparada de reestruturações entre produtores pessoas jurídicas e pela crise de margem na cultura da soja.

O que aconteceu

  • Escalada de Pedidos: O agronegócio brasileiro somou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, uma alta de 21,9% em relação às 389 solicitações registradas no mesmo período do ano anterior.
  • Disparada das Pessoas Jurídicas: Os produtores rurais constituídos como PJ lideraram a alta com 196 pedidos, o que representa um salto de 73,5% na comparação anual.
  • Soja e Mato Grosso na Liderança: A lavoura de soja respondeu isoladamente por 137 pedidos, enquanto o estado de Mato Grosso concentrou o maior volume de solicitações do país.
  • Gargalo no Fluxo de Caixa: A combinação de custos de produção elevados, juros da Selic mantidos em 14% ao ano e crédito restrito encareceu o refinanciamento das dívidas no campo.

O agronegócio brasileiro iniciou 2026 sob intensa pressão sobre o fluxo de caixa das propriedades. O indicador da Serasa Experian apontou 474 solicitações de recuperação judicial nos primeiros três meses do ano, consolidando a continuidade do ciclo de estresse financeiro que afeta tanto quem produz quanto a cadeia de suprimentos.

O motor central desse crescimento foi a migração dos grandes e médios produtores para a formalização como Pessoa Jurídica. Enquanto os pedidos efetuados por produtores rurais Pessoa Física (PF) recuaram 6,7% no período (somando 182 casos), os requerimentos vindo de Pessoas Jurídicas (PJ) saltaram de 113 para 196 — uma alta expressiva de 73,5%. A mudança de patamar reflete o maior nível de profissionalização e alavancagem de estruturas empresariais no campo, que encontram na reestruturação judicial um escudo contra a execução imediata de garantias pelos credores.

A cadeia estendida do agronegócio também sentiu o baque: revendas de insumos, agroindústrias de transformação primária e prestadores de serviços logísticos registraram 96 pedidos de recuperação no 1T26, avanço de 18,5% sobre os 81 casos reportados nos primeiros três meses de 2025.

No detalhamento por atividade econômica, a cultura da soja permaneceu como a mais impactada pelos reajustes de margem, concentrando 137 requerimentos de recuperação judicial no trimestre. Na sequência figuram a criação de bovinos (42 pedidos) e o cultivo de grãos mistos.

Geograficamente, os estados com forte vocação para grãos e maior volume de crédito tomado lideraram a estatística nacional:

A manutenção da taxa Selic em 14% ao ano exercida pelo Banco Central encareceu diretamente o crédito livre e o Financiamento para Garantia de Preços ao Produtor (FGPP). Com a taxa básica em patamar elevado, os bancos e tradings tornaram-se consideravelmente mais seletivos na concessão de novos recursos, travando o rolamento de passivos de produtores altamente endividados.

De acordo com a avaliação do head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, a recuperação judicial deve ser encarada como medida extrema de preservação da atividade, e não como primeira opção de gestão. O ambiente de crédito restrito exige renegociação preventiva direto com fornecedores de insumos e bancos antes do vencimento das cédulas de produto rural (CPRs).

Ao mesmo tempo, o setor financeiro tem implementado modelos preditivos enriquecidos com inteligência artificial para avaliar o risco de crédito agrícola de forma individualizada. O objetivo das instituições é diferenciar o produtor que enfrenta uma frustração pontual de safra daquele com insolvência estrutural, evitando o fechamento indiscriminado das linhas de financiamento para o ciclo 2026/2027.

Guia do Produtor e Credor: Orientações Práticas de Gestão Financeira

Para o Produtor Rural (Prevenção e Reestruturação):

Para Investidores e Credores do Agro (FIIs Imobiliários, Fiagros e Bancos):

Fonte: IstoéDinheiro

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