
Lula critica privatizações como Eletrobras e Sabesp, defendendo Petrobras e BNDES. Ele vê incompetência na venda de estatais e prioriza o capital público para investimentos.
Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente Lula ataca a privatização de gigantes estatais, defende o BNDES e a Petrobras e questiona os ganhos reais entregues ao consumidor pelo mercado de capitais.
A agenda de desestatizações e privatizações, que ditou o ritmo de governos anteriores e ainda mobiliza gestões estaduais no Brasil, encontrou uma barreira firme no Palácio do Planalto. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente Luiz Inácio Lula da Silva renovou suas críticas à venda de ativos estratégicos da União e de estados, sustentando que processos de privatização costumam refletir “incompetência de governantes em gerir e arrecadar”, sem entregar as prometidas reduções de tarifas ou melhorias de serviços ao cidadão.
O presidente direcionou suas críticas a episódios recentes do mercado brasileiro, citando nominalmente as vendas da BR Distribuidora (atual Vibra Energia), da Eletrobras e o processo de privatização da Sabesp pelo governo de São Paulo. Para o chefe do Executivo, o mercado financeiro e os fundos de investimento priorizam o retorno de dividendos em detrimento da função social e do investimento estruturante.
“Eu quero saber o que algum brasileiro ou brasileira ganhou com a venda da BR Distribuidora. Quero saber o que nós ganhamos com a venda da Eletrobras. Não ganhou nada. Vendeu porque governantes incompetentes, ao invés de arrumar a gestão, preferem vender.”
— Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República.
A blindagem de Petrobras e BNDES
Enquanto combate a venda de estatais, o governo reforça o papel de duas gigantes públicas como indutoras do desenvolvimento econômico: a Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Lula rebateu as teses de que a petroleira precisaria alienar ativos secundários para manter a rentabilidade. O presidente destacou que a empresa prevê forte lucratividade sem abrir mão de seu parque refinador e de sua atuação em transição energética. Em relação ao BNDES, o presidente rechaçou o estigma de “caixa-preta” e destacou a higidez do balanço da instituição financeira.
O choque entre visão pública e mercado privado
A postura do Planalto evidencia uma cisão clara entre a filosofia econômica do governo e a tese defensora da neutralidade do Estado no mercado de capitais:
| Ativo / Instituição | Posição do Mercado / Investidores | Visão da Atual Gestão do Planalto |
| BR Distribuidora / Eletrobras | Eficiência operacional e foco em geração de valor | Perda de soberania sobre preços e suprimento essencial |
| Sabesp | Aporte de capital privado para universalização do saneamento | Risco de tarifa mais alta e favorecimento de grupos restritos |
| BNDES | Risco de distorção no mercado de crédito corporativo | Mola propulsora para infraestrutura e neoindustrialização |
Ao fechar o diagnóstico sobre o ecossistema corporativo brasileiro, a mensagem do Planalto ao mercado de capitais é direta: não haverá abertura para privatizações de estatais federais nos próximos anos. A prioridade do governo continuará sendo o fortalecimento do capital público como indutor direto dos grandes investimentos do País.
Fonte: IstoéDinheiro