Data Mercantil

LATAM: Após balanço 2T26 – ainda vale a pena comprar ações?

O Grupo LATAM reporta lucro líquido de US$ 146 milhões no 2T26, com expansão internacional e margem operacional em alta. A alavancagem está controlada, mas câmbio e combustível são riscos.

Grupo aéreo consolida expansão internacional, eleva margem operacional e mantém alavancagem sob controle, mas volatilidade cambial e preço do combustível exigem seletividade do investidor.

Principais pontos

  • Lucro líquido robusto: O Grupo LATAM encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com lucro líquido de US$ 146 milhões, impulsionado pelo crescimento do tráfego de passageiros e pela forte ocupação nas rotas de longa distância.
  • Avanço no faturamento: A receita operacional consolidada somou US$ 3,05 bilhões no período, representando um aumento de 8,5% na comparação com o 2T25.
  • Eficiência operacional: O Ebitda ajustado atingiu US$ 685 milhões no trimestre, com margem Ebitda ajustada de 22,5%, demonstrando a capacidade da empresa em diluir custos fixos com o aumento de voos.
  • Capacidade e ocupação: A oferta total de assentos (medida pelo indicador ASK) subiu 9,2% no trimestre, enquanto a taxa de ocupação (load factor) média atingiu 84,2%.
  • Visão do mercado: Analistas veem a tese de investimento em LTM sustentada pela disciplina de capacidade e forte geração de caixa, embora alertem para os riscos macroeconômicos inerentes ao setor aéreo, como o câmbio e a cotação do querosene de aviação (QAV).

O Grupo LATAM (LTM) apresentou os resultados financeiros e operacionais do segundo trimestre de 2026, confirmando a continuidade do ciclo de recuperação e expansão iniciado após a reestruturação do Capítulo 11. O resultado reafirma a posição da companhia como líder de mercado na América Latina, impulsionada por um ambiente de demanda aquecida tanto no mercado doméstico quanto nas conexões internacionais entre as Américas e a Europa.

Mesmo em um trimestre historicamente caracterizado por sazonalidade intermediária no setor aéreo, a companhia demonstrou resiliência operacional e manteve o ritmo de desalavancagem financeira.

O desempenho do trimestre reflete a execução estratégica focada no aumento da produtividade da frota e na otimização da malha aérea. O aumento de 9,2% na capacidade total (ASK) foi acompanhado por uma demanda (medida em RPK – Passageiros-Quilômetros Transportados) em ritmo equivalente, garantindo taxas de ocupação elevadas e tarifas médias (yields) estáveis.

Na linha de frente dos custos, o controle sobre as despesas operacionais não relacionadas a combustível permitiu manter o custo por assento-quilômetro oferecido (CASK ex-fuel) em patamares competitivos.

Os principais indicadores operacionais e financeiros do Grupo LATAM (LTM) no segundo trimestre de 2026 revelam os seguintes detalhes:

Um dos pontos mais monitorados pelo mercado na tese de LATAM é a relação de endividamento. O grupo encerrou o 2T26 com uma liquidez total superior a US$ 3,0 bilhões, somando caixa disponível e linhas de crédito compromissadas não sacadas.

A alavancagem financeira, medida pela razão Dívida Líquida / Ebitda ajustado nos últimos 12 meses, manteve-se em patamar confortável próximo a 1,8x. Essa métrica concede à empresa flexibilidade para financiar a renovação programada de sua frota com aeronaves de menor consumo de combustível sem comprometer o balanço patrimonial.

O que dizem os analistas: Vale a pena comprar LTM?

O consenso entre analistas de mercado aponta para um valuation ainda atrativo em relação aos pares globais, com a ação sendo negociada a múltiplos de EV/Ebitda inferiores à média histórica do setor.

  1. Pontos Favoráveis:
    • Liderança nos principais mercados domésticos do continente (Brasil, Chile e Peru).
    • Aliança estratégica e joint venture com grandes parceiros internacionais, fortalecendo a conectividade.
    • Geração sólida de caixa livre e balanço estruturado após o processo de reorganização judiciária.
  2. Fatores de Risco:
    • Volatilidade nas cotações globais do petróleo, que impacta diretamente os custos com querosene de aviação (QAV).
    • Sensibilidade às oscilações das moedas locais (como o Real e o Peso Chileno) em relação ao Dólar, moeda na qual a maior parte da dívida e do custo com arrendamento de aeronaves está denotada.

Guia do Investidor: Como posicionar sua carteira em LTM

Para o investidor conservador

Recomendação: Manter fora da carteira. O setor aéreo carrega volatilidade estrutural decorrente de variáveis externas imprevisíveis (commodities e câmbio). Investidores com foco em proteção de capital e dividendos recorrentes encontram melhores alternativas em setores defensivos como energia elétrica, saneamento e bancos.

Para o investidor moderado

Recomendação: Acompanhamento ou alocação ponderada. A empresa apresenta fundamentos operacionais sólidos e um balanço limpo. Contudo, posições devem ser montadas de forma gradual, observando o comportamento da inflação global e o custo dos combustíveis nos próximos trimestres.

Para o investidor agressivo (Foco em Valor/Crescimento)

Recomendação: Compra parcial. Para carteiras voltadas a ganho de capital em ativos de risco com tese de value investing, LTM oferece uma combinação favorável de crescimento operacional, múltiplos descontados e liderança regional consolidada. Recomenda-se limitar a exposição entre 2% e 4% da carteira total de renda variável.

Fonte: IstoéDinheiro

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