Data Mercantil

IPCA-15 desacelera em julho e impulsiona aposta em novo corte da Selic

IPCA-15 registra 0,06% em julho, abaixo das projeções, e fortalece a expectativa de novo corte da Selic pelo Banco Central.

A prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), registrou uma desaceleração significativa em julho. Com alta de apenas 0,06% no mês, o dado veio abaixo das expectativas do mercado financeiro e fortalece as apostas de um novo corte na taxa Selic pelo Banco Central. A leitura, publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contrasta com o aumento de 0,41% observado em junho.

Da IstoÉ Dinheiro

O que aconteceu

Os dados divulgados pelo IBGE vieram abaixo do consenso dos economistas, que esperavam uma alta próxima de 0,20% no período. Além da desaceleração mensal, o indicador acumulado em 12 meses recuou de 4,80% para 4,52%, voltando a ficar mais próximo do limite superior da meta de inflação, de 4,5%.

Na avaliação de analistas, o desempenho reforça a percepção de que o processo de desinflação continua em curso, ainda que de forma gradual. Esse cenário é visto como um fator crucial para a tomada de decisões na política monetária.

Como a queda dos alimentos impacta a inflação?

Entre os fatores que contribuíram para o resultado de julho está a redução dos preços de alimentos, componente que vinha pressionando o índice nos últimos meses. Esta queda aliviou parte da pressão sobre o custo de vida das famílias brasileiras.

Por outro lado, itens como energia elétrica ainda exerceram influência sobre a inflação, impedindo uma desaceleração ainda maior. A combinação entre alimentos mais baratos e uma inflação mais moderada foi vista pelo mercado como um sinal positivo para a condução da política monetária.

Mercado amplia apostas em novo corte da Selic

Com um IPCA-15 abaixo das expectativas, economistas passaram a considerar mais provável que o Banco Central mantenha o ciclo de flexibilização monetária iniciado neste ano. Esta percepção aumenta a pressão sobre o Comitê de Política Monetária (Copom) para atuar.

Embora a autoridade monetária continue enfatizando cautela e a necessidade de acompanhar o comportamento da inflação de serviços, o novo dado reduz parte da pressão sobre o Copom e fortalece a expectativa de um novo corte na Selic nas próximas reuniões. A expectativa é que o ritmo de queda da taxa básica de juros possa ser mantido.

Quais os próximos desafios para a política monetária?

Apesar do alívio, especialistas destacam que ainda é cedo para concluir que a inflação está totalmente controlada. Questões como o cenário fiscal, o comportamento do câmbio, a atividade econômica e os preços administrados continuam no radar do Banco Central e podem influenciar as próximas decisões sobre juros.

Ainda assim, o resultado de julho representa um importante sinal de desaceleração dos preços e tende a influenciar as projeções para inflação, juros, Bolsa e mercado de renda fixa nas próximas semanas. Acompanhar a evolução desses indicadores será fundamental.

Principais números do IPCA-15 de julho

IndicadorResultado
IPCA-15 de julho0,06%
IPCA-15 de junho0,41%
Acumulado no ano3,51%
Acumulado em 12 meses4,52%

A divulgação do IPCA-15 é acompanhada de perto pelo mercado financeiro por ser considerada uma prévia da inflação oficial e um dos principais indicadores utilizados pelo Banco Central para calibrar a política monetária. O comportamento do índice costuma influenciar diretamente as expectativas para a taxa Selic, o crédito, os investimentos e o desempenho dos ativos brasileiros.

Fonte: IstoéDinheiro

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