Data Mercantil

Durigan diz que bets deveriam ser reguladas como cigarro, com restrições à publicidade

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta sexta-feira (24) que as bets sejam reguladas de forma semelhante ao cigarro, com restrições à publicidade e medidas para reduzir o número de apostadores.
Segundo ele, o cenário atual dificulta medidas mais drásticas, diante da forte presença das casas de apostas em diferentes setores os 20 clubes da Série A do futebol, por exemplo, têm patrocínio master do setor e da falta de apoio do Congresso para proibir a atividade.
Hoje, beneficiários de programas sociais e pessoas que aderiram a programas de renegociação de dívidas já estão impedidos de apostar.
Durante um painel na Expert XP, evento sobre investimentos promovido pela XP Investimentos, Durigan disse que o governo vai “melhorar a lei fiscal, custe o que custar” e defendeu medidas para conter o crescimento das despesas obrigatórias e reforçar a credibilidade da política econômica.
As declarações foram feitas . Durigan participou da conversa ao lado do coordenador de análise política da instituição, Paulo Gama, e do diretor institucional, Rafael Furlanetti.
Segundo o ministro, o governo pretende apresentar, no dia 31 de agosto, a proposta de orçamento para o próximo ano, que preserve os programas sociais e mantenha a trajetória de melhora do resultado fiscal.
Ao comentar o cenário internacional, o ministro afirmou que os juros elevados nos Estados Unidos e as tensões geopolíticas, com a guerra no Oriente Médio, têm pressionado a inflação em diversos países, que, em alguns casos, contam com cenários fiscais piores que o brasileiro.
O ministro também afirmou que o governo não pretende adotar medidas de controle de capitais. Segundo ele, eventuais mudanças na regulação do sistema financeiro não podem ser confundidas com restrições à entrada ou à saída de recursos do país.
A participação do ministro ocorre após os Estados Unidos anunciarem, na quinta-feira (23), uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor nesta sexta-feira (24).
Também na quinta, Durigan afirmou em entrevista à BandNews que o governo apoiará empresas afetadas pelas novas tarifas com linhas de crédito para capital de giro e para negócios que precisarem adaptar a produção para acessar novos mercados. Nesta semana, o governo anunciou um pacote de R$ 18,5 bilhões em recursos para ajudar empresas afetadas como parte do plano Brasil Soberano.
O ministro também classificou a nova sobretaxa como um “mero expediente” para substituir a tarifa global anterior de 10%, que havia sido derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
Na semana passada, passou a valer uma tarifa de 25% imposta pelos EUA após uma investigação sobre práticas comerciais consideradas injustas. Segundo Durigan, com a nova sobretaxa, os Estados Unidos passam a tarifar cerca de 99% das importações brasileiras.

Fonte: FolhaPress

Sair da versão mobile