
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta terça-feira, 9, que o diálogo comercial do Brasil com os Estados Unidos precisa passar por uma negociação setorial, incluindo temas do agronegócio e de tecnologia.
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Em entrevista ao portal UOL, Durigan afirmou que os EUA têm demandas relacionadas a tarifas do etanol, enquanto o Brasil tem interesse no comércio do açúcar. Ele mencionou ainda demandas na indústria aeronáutica, infraestrutura de telecomunicações e tecnologia de nuvem.
Após os EUA fazerem novas ameaças de tarifas contra produtos brasileiros, o ministro afirmou que o governo trabalhará para que não haja uma punição geral ao Brasil.
“Esse tipo de punição ao país como um todo deve ser afastado. O que pode ser discutido são questões setoriais, como se faz com outros países do mundo”, afirmou.
O ministro afirmou que deve participar nos próximos dias, junto com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, de uma reunião virtual com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
O governo do presidente Donald Trump propôs na semana passada uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros após uma investigação sobre práticas comerciais do país, além de tarifa adicional de 12,5% em outra apuração, sobre trabalho forçado.
Combustíveis
Na entrevista, Durigan afirmou que “enquanto houver efeito da guerra” no Oriente Médio, serão adotadas medidas de mitigação dos impactos do conflito sobre preços de combustíveis, mas “com cuidado”. Ele destacou que o governo não prevê nenhuma mudança, flexibilização ou exceções em regras fiscais.
O ministro disse que o Brasil está em posição mais favorável do que seus pares nesse ambiente e não está preocupado com racionamento de combustíveis, por exemplo, como ocorre em outros países.
“Nós estamos preocupados se vai ter um aumento na gasolina de 6%, de 10%, se o aumento de 17% no diesel vai voltar, em razão das subvenções que o governo tem feito”, afirmou.
Em outra frente, o ministro defendeu que as bets sejam tratadas como o cigarro, com uma trajetória de aperto da regulação, ainda que a atividade não seja proibida. Ele disse que a Fazenda não tem resistência a debater o tema diante do aumento de arrecadação gerado pelo setor, mas não detalhou se o governo dará em breve novos passos nesse sentido.
Fonte: Reuters