
O mercado brasileiro de crédito imobiliário deverá encerrar 2026 com cerca de R$ 411 bilhões em concessões, segundo nova projeção da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).
Para Michel Cury, presidente da entidade, os números do primeiro semestre mostraram que a demanda por financiamento imobiliário permanece mesmo com os juros elevados. De janeiro a junho, as concessões de crédito imobiliário chegaram a R$ 180,9 bilhões, alta de 23% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo Cury, o desempenho do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) e a ampliação dos recursos destinados à habitação permitiram revisar de 16% para 25% a projeção de crescimento do crédito imobiliário em 2026.
Para a entidade, a projeção mais favorável ocorre em um cenário em que emprego e renda continuam contribuindo para sustentar a demanda habitacional.
A principal fonte de recursos para o financiamento habitacional teve desempenho acima do esperado. No primeiro semestre, as concessões do SBPE chegaram a R$ 93,7 bilhões, crescimento de 29% em relação aos seis primeiros meses de 2025. Os financiamentos para aquisição de imóveis avançaram 12% no período.
A Abecip agora estima que os financiamentos com recursos do sistema alcancem R$ 185 bilhões em 2026, crescimento de 18% no ano.
A ampliação dos recursos destinados ao crédito habitacional por meio do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e do Fundo Social do pré-sal também contribuiu para a revisão. A previsão é que essas fontes respondam por aproximadamente R$ 195 bilhões em concessões neste ano, alta de 38% em relação a 2025.
Já os financiamentos realizados com recursos livres devem permanecer próximos do volume registrado em 2025, em torno de R$ 31 bilhões, segundo a Abecip.
Na avaliação da Abecip, entretanto, o nível elevado das taxas de juros continua sendo um dos principais fatores de atenção para a evolução das concessões nos próximos meses.
A procura por financiamento ocorre em um mercado em que a Selic está em 14% e o custo do crédito permanece elevado, mas também em que o aluguel mais caro tem levado parte dos consumidores a considerar a compra do imóvel como alternativa.
Fonte: FolhaPress