Data Mercantil

Com o fim dos recursos, indústria de caminhões busca seguir em frente sem o Move Brasil

Com o fim do primeiro semestre, a indústria de caminhões constatou que os recursos do programa federal Move Brasil 2 atenuaram os efeitos da queda nas vendas. Contudo, a iniciativa não foi suficiente para reverter o cenário ruim do setor no país.
Agora, com o fim do incentivo, as fabricantes tentam seguir a vida em um segundo semestre que terá pela frente dois fatores relevantes para o setor: as eleições majoritárias e a Fenatran, maior evento do segmento de veículos pesados.
Caminhão passa pela linha de montagem na fábrica da Scania, em São Bernardo do Campo (ABC) Divulgação Caminhão azul da marca Scania posicionado em linha de montagem dentro de fábrica. Ambiente industrial com estrutura metálica, equipamentos e operadores ao redor. Imagem pequena **** “Existe vida fora do Move Brasil”, disse Gustavo Cecchetto, gerente de vendas da Scania. “O programa não apenas diminuiu as perdas, mas também nos aproximou do pequeno e do médio empresário, movimentou o varejo e ocupou a fábrica”, completou o executivo. Conforme a montadora, metade das suas vendas realizadas no primeiro semestre ocorreram por meio do programa.
Embora os recursos tenham se esgotado para as empresas, o programa federal vai continuar reverberando nas operações das montadoras. Isso ocorre porque os registros dos veículos comprados durante a sua vigência seguem sendo realizados após o faturamento dos caminhões.
“Nosso desafio daqui para frente é buscar novos negócios em um cenário onde os juros ainda seguem altos e encarecem o financiamento de veículos novos”, afirmou Cecchetto. “Por isso calculamos uma queda do mercado em 2026 na faixa dos 5% e 10% em relação a 2025.”
A Scania superou os R$ 1,3 bilhão em negócios durante a segunda fase do Move Brasil, entre maio e julho. O montante correspondeu às vendas de aproximadamente 1.300 caminhões, 130 implementos rodoviários e 40 ônibus. Na primeira fase do programa, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a empresa comercializou 1.250 veículos pesados.
Segundo a Anfavea, a associação que representa parte das montadoras com produção de veículos no país, a tendência é de estabilização do mercado no segundo semestre em razão da taxa básica de juros ainda elevada e das dificuldades persistentes no agronegócio, que é o principal comprador de caminhões pesados no mercado doméstico.
Diante do contexto adverso, a entidade reduziu em julho a sua projeção acerca da produção de caminhões.
Pelas contas da associação, a produção de caminhões será 6% menor do que no ano passado, somando 143,2 mil unidades. “Nos últimos dois anos, o mercado perdeu cerca de 100 mil unidades, quase uma Argentina”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea.
No caso dos emplacamentos de pesados, a queda projetada pela entidade também indica uma retração de 6% ante o volume registrado em 2025, totalizando 129,2 mil unidades. Em janeiro, quando a associação das montadoras revelou sua primeira projeção para o ano, a queda sinalizada era de 0,5%.
A renovação de frota segue também como um dos principais desafios estruturais do setor e também ajuda a explicar a relevância –ainda que temporária– do Move Brasil. O programa foi desenhado para estimular a substituição de veículos antigos por modelos mais eficientes, com menor emissão e maior segurança operacional.
Na prática, a demanda reprimida apareceu rapidamente: apenas na segunda fase, a linha de crédito de até R$ 21,2 bilhões voltada a caminhões e ônibus teve forte adesão, com recursos aprovados em poucos dias e milhares de operações espalhadas por mais de mil municípios.
Galeria Conheça veículos comerciais apresentados na Fenatran 2024 Opções movidas a biocombustíveis e eletricidade são destaques na feira do transporte https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1814834787915395-conheca-veiculos-comerciais-apresentados-na-fenatran-2024 *** Na primeira etapa do programa do governo federal, quase R$ 9,7 bilhões já haviam sido financiados, contemplando mais de 15,6 mil caminhões.
Os números reforçam um diagnóstico recorrente no setor: há demanda para renovação, mas ela depende de condições de crédito. “No patamar em que estão os juros, muitos dos frotistas seguraram as compras para outro momento, o que acabou refletindo nos números de vendas do setor”, disse Cecchetto, da Scania.
Historicamente, a frota brasileira é envelhecida: cerca de 26% dos caminhões têm mais de 30 anos de uso, o que eleva os custos operacionais e o impacto ambiental, segundo as montadoras.
Com juros subsidiados e prazos mais longos, o Move Brasil conseguiu destravar parte dessa substituição ao oferecer financiamento em condições mais acessíveis que as demais disponíveis no mercado.
Sem o programa, a tendência é de desaceleração desse movimento, já que a renovação volta a depender do crédito tradicional e da renda do transporte.Com o fim do primeiro semestre, a indústria de caminhões constatou que os recursos do programa federal Move Brasil 2 atenuaram os efeitos da queda nas vendas. Contudo, a iniciativa não foi suficiente para reverter o cenário ruim do setor no país.
Agora, com o fim do incentivo, as fabricantes tentam seguir a vida em um segundo semestre que terá pela frente dois fatores relevantes para o setor: as eleições majoritárias e a Fenatran, maior evento do segmento de veículos pesados.
Caminhão passa pela linha de montagem na fábrica da Scania, em São Bernardo do Campo (ABC) Divulgação Caminhão azul da marca Scania posicionado em linha de montagem dentro de fábrica. Ambiente industrial com estrutura metálica, equipamentos e operadores ao redor. Imagem pequena **** “Existe vida fora do Move Brasil”, disse Gustavo Cecchetto, gerente de vendas da Scania. “O programa não apenas diminuiu as perdas, mas também nos aproximou do pequeno e do médio empresário, movimentou o varejo e ocupou a fábrica”, completou o executivo. Conforme a montadora, metade das suas vendas realizadas no primeiro semestre ocorreram por meio do programa.
Embora os recursos tenham se esgotado para as empresas, o programa federal vai continuar reverberando nas operações das montadoras. Isso ocorre porque os registros dos veículos comprados durante a sua vigência seguem sendo realizados após o faturamento dos caminhões.
“Nosso desafio daqui para frente é buscar novos negócios em um cenário onde os juros ainda seguem altos e encarecem o financiamento de veículos novos”, afirmou Cecchetto. “Por isso calculamos uma queda do mercado em 2026 na faixa dos 5% e 10% em relação a 2025.”
A Scania superou os R$ 1,3 bilhão em negócios durante a segunda fase do Move Brasil, entre maio e julho. O montante correspondeu às vendas de aproximadamente 1.300 caminhões, 130 implementos rodoviários e 40 ônibus. Na primeira fase do programa, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a empresa comercializou 1.250 veículos pesados.
Segundo a Anfavea, a associação que representa parte das montadoras com produção de veículos no país, a tendência é de estabilização do mercado no segundo semestre em razão da taxa básica de juros ainda elevada e das dificuldades persistentes no agronegócio, que é o principal comprador de caminhões pesados no mercado doméstico.
Diante do contexto adverso, a entidade reduziu em julho a sua projeção acerca da produção de caminhões.
Pelas contas da associação, a produção de caminhões será 6% menor do que no ano passado, somando 143,2 mil unidades. “Nos últimos dois anos, o mercado perdeu cerca de 100 mil unidades, quase uma Argentina”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea.
No caso dos emplacamentos de pesados, a queda projetada pela entidade também indica uma retração de 6% ante o volume registrado em 2025, totalizando 129,2 mil unidades. Em janeiro, quando a associação das montadoras revelou sua primeira projeção para o ano, a queda sinalizada era de 0,5%.
A renovação de frota segue também como um dos principais desafios estruturais do setor e também ajuda a explicar a relevância –ainda que temporária– do Move Brasil. O programa foi desenhado para estimular a substituição de veículos antigos por modelos mais eficientes, com menor emissão e maior segurança operacional.
Na prática, a demanda reprimida apareceu rapidamente: apenas na segunda fase, a linha de crédito de até R$ 21,2 bilhões voltada a caminhões e ônibus teve forte adesão, com recursos aprovados em poucos dias e milhares de operações espalhadas por mais de mil municípios.
Na primeira etapa do programa do governo federal, quase R$ 9,7 bilhões já haviam sido financiados, contemplando mais de 15,6 mil caminhões.
Os números reforçam um diagnóstico recorrente no setor: há demanda para renovação, mas ela depende de condições de crédito. “No patamar em que estão os juros, muitos dos frotistas seguraram as compras para outro momento, o que acabou refletindo nos números de vendas do setor”, disse Cecchetto, da Scania.
Historicamente, a frota brasileira é envelhecida: cerca de 26% dos caminhões têm mais de 30 anos de uso, o que eleva os custos operacionais e o impacto ambiental, segundo as montadoras.
Com juros subsidiados e prazos mais longos, o Move Brasil conseguiu destravar parte dessa substituição ao oferecer financiamento em condições mais acessíveis que as demais disponíveis no mercado.
Sem o programa, a tendência é de desaceleração desse movimento, já que a renovação volta a depender do crédito tradicional e da renda do transporte.

Fonte: FolhaPress

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