
Os preços do café moído acumularam queda (deflação) de 17,2% nos 12 meses até julho no Brasil, segundo dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados nesta terça-feira (11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O instituto disse que a redução é a maior desde o início do Plano Real a moeda passou a circular em julho de 1994.
O alívio, contudo, não compensou toda a disparada do produto verificada em 2024 e 2025. O café acumulou aumento de 82,24% nos 12 meses encerrados em maio do ano passado.
À época, a carestia refletiu problemas de oferta causados pelo clima adverso. Agora, a melhora das condições de safra ajuda a levar os preços para baixo, conforme o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves.
O pesquisador do IBGE ponderou que esses repasses para o consumidor são gradativos e que a chegada do El Niño traz incertezas para os próximos meses. O fenômeno climático altera a distribuição das chuvas no território, o que desafia o agronegócio.
“O café estava com base alta [de comparação]. Está caindo, mas ainda não devolveu o que subiu”, disse Gonçalves.
Em junho, o IBGE estimou que a produção brasileira de café (arábica e canéfora) chegará a quase 4 milhões de toneladas neste ano, alta de 14,7% em relação a 2025.
A previsão é do LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola), atualizado pelo instituto a cada mês.
Nos 12 meses até julho, o café acumulou queda de preços nas 16 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas no IPCA.
As maiores baixas foram observadas em Belo Horizonte (-23,51%), Rio de Janeiro (-21,33%), Curitiba (-20,49%) e São Paulo (-18,38%). Aracaju (-7,48%) e São Luís (-8,13%) mostraram as reduções menos intensas.
Na capital paulista, um pacote de 500 g ustou, em média, R$ 25,51 em junho, conforme pesquisa da cesta básica divulgada pelo Procon-SP.
O valor ficou 17,55% abaixo do encontrado pelo levantamento em igual mês do ano passado (R$ 30,94). O preço mais recente, contudo, ainda não retomou aos patamares anteriores era de R$ 22,65 em janeiro de 2025.
Fonte: FolhaPress