Data Mercantil

Bitcoin dispara mais de 20% e rompe US$ 77 mil: a alta ainda tem fôlego?

Bitcoin dispara para R$ 400 mil, impulsionado por decisão do Tesouro dos EUA, forte aporte em ETFs e liquidação de posições vendidas.

Impulsionado pelo alívio nas taxas dos Treasuries americanos, forte apetite de ETFs institucionais e um short squeeze bilionário, o principal criptoativo do mundo estende seu rali para a marca de R$ 400 mil.

O que aconteceu

  • Rompimento e nova máxima: O Bitcoin acelerou o movimento comprador e superou a barreira dos US$ 77.000 (cotado a aproximadamente R$ 401.000), acumulando alta superior a 23% em apenas sete dias.
  • Injeção de liquidez nos EUA: A confirmação do Tesouro americano de que dobrará o programa de recompra de títulos (para ao menos US$ 4 bilhões por operação) derrubou as taxas das Treasuries, turbinando os ativos de risco.
  • Liquidação massiva de derivativos: O avanço fulminante provocou a liquidação forçada de mais de US$ 3,4 bilhões em posições vendidas (shorts) no mercado futuro global.
  • Fluxo institucional recorde: Os ETFs à vista negociados em Wall Street captaram mais de US$ 1,1 bilhão em poucas sessões, confirmando o retorno expressivo de capital comprador.

O mercado de criptoativos registra nesta terceira semana de agosto de 2026 um dos seus movimentos mais agressivos do ano. Após quebrar a consolidação e superar os US$ 72 mil, a cotação do Bitcoin (BTC) manteve forte fôlego e atingiu a faixa dos US$ 77.600. No mercado brasileiro, a conversão direta aliada ao câmbio levou a criptomoeda a superar a marca dos R$ 401.000 por unidade, consolidando um ganho de 23% no acumulado de sete dias e elevando o valor de mercado global das criptomoedas para a marca de US$ 2,53 trilhões.

O catalisador macroeconômico desse movimento foi a atuação direta do Tesouro dos Estados Unidos. O órgão confirmou que vai ampliar de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões por operação a recompra de dívida pública a partir de setembro de 2026. A medida aliviou a pressão sobre as taxas dos títulos de 30 anos (que recuaram de 5,34% para o patamar de 5,18%), enfraqueceu a divisa americana e expandiu a liquidez global, criando o ambiente ideal para a migração de capital rumo à renda variável e aos criptoativos.

Força institucional e o ‘squeeze’ de US$ 3,4 bilhões

Além do alívio nos juros globais, a alta ganhou tração mecânica no mercado de derivativos. A ruptura sequencial das resistências de US$ 70 mil e US$ 75 mil acionou ordens automáticas de stop e liquidação para apostas na queda. O volume de posições vendidas zeradas compulsoriamente ultrapassou US$ 3,4 bilhões, criando uma espiral de recompras no mercado à vista para cobrir margens.

Paralelamente, os fundos de índice (ETFs) de Bitcoin à vista nos EUA apresentaram forte aceleração de aportes. Apenas entre os dias 17 e 20 de agosto, a captação líquida positiva superou a marca de US$ 1,11 bilhão, impulsionada por fundos como IBIT (BlackRock) e FBTC (Fidelity). A virada das métricas operacionais sinaliza que a demanda por BTC no mercado spot (à vista) e perpétuo voltou a ficar positiva de forma sustentada pela primeira vez em vários meses.

A alta ainda tem fôlego?

Mesmo com métricas de análise técnica e o indicador RSI em patamares elevados — sinalizando sobrecompra no curto prazo —, o cenário fundamentalista segue respaldado por avanços regulatórios no Congresso norte-americano, como a tramitação do CLARITY Act. Analistas de mercado apontam que, em prazos mais longos, a fraqueza fiscal dos países desenvolvidos continua alimentando a tese do Bitcoin como reserva de valor escassa. No entanto, após uma pernada de alta tão vertical, momentos de pausa ou pequenas correções para consolidação de topo são esperados.

Guia do Investidor: Orientações Práticas

Diante de cotações nas máximas dos últimos meses, o investidor deve agir com disciplina e estratégia para evitar erros de alocação:

Fonte: IstoéDinheiro

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