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Airbnb proíbe exigir louça lavada, e anfitriões relatam perrengues; entenda as novas regras

O Airbnb anunciou que os anfitriões não poderão exigir tarefas como lavar e guardar a louça, retirar a roupa de cama ou o lixo, mas responsáveis pelos imóveis dizem que a falta desses cuidados pode pesar na avaliação dos hóspedes e dificultar reservas. As novas regras valem para reservas feitas a partir de 20 de novembro. Um dos entrevistados ouvidos pela reportagem diz que terá de passar a cobrar taxa de limpeza para compensar a mudança.
Segundo a empresa, os anfitriões poderão continuar fazendo pedidos razoáveis, como colocar a louça usada na pia, desligar o ar-condicionado antes do check-out e juntar as toalhas usadas. O objetivo, afirma, é tornar as regras mais claras e evitar exigências excessivas.
A fonoaudióloga Carla Aparecida Simões Orfão Galante, 52, que tem seis imóveis em São Paulo, diz que um copo na pia não pesa para o anfitrião, mas, quando o hóspede usa todos os talheres, copos e pratos e os deixa espalhados pela casa com restos de comida, a situação se complica. Cadastrada no Airbnb desde 2018, a limpeza é feita por ela e pelo marido, cujo custo está embutido no aluguel.
Carla diz que exige apenas que hóspedes não fumem nem recebam visitas sem aviso prévio. Como regra de boa convivência e cuidado básico, ela pede para descartar a sujeira e lavar os itens utilizados.
Ela conta que um de seus hóspedes deixou suja toda a louça que havia na casa, mas que esse não é o padrão. Em outra ocasião, após 12 dias de hospedagem, um grupo deixou o imóvel com forte odor, que resistiu às limpezas. Ela diz que precisou lavar as roupas de cama mais de uma vez, além de limpar paredes com vinagre e ventilar o ambiente.
As crianças do grupo urinaram no colchão, e ela precisou descartá-lo. Para pedir ressarcimento ao Airbnb, diz, precisaria apresentar a nota fiscal do colchão, que já não tinha.
BAIXA AVALIAÇÃO PODE DIFICULTAR ESTADIA
Proprietários de imóveis dizem que o sistema de avaliação funciona como um parâmetro para o anfitrião avaliar se deve ou não aceitar um pedido de estadia.
Em Avaré, no interior paulista, um prestador de serviços que preferiu não ser identificado trabalha para anfitriões de duas casas, controlando entradas e saídas, cuidando da limpeza e da seleção de hóspedes.
Ele diz que, na maioria das hospedagens, não cobram taxa de limpeza, mas envia um memorando no fim da estadia com pedidos para deixar a louça lavada e guardada, colocar o lixo para fora, fechar a casa e não deixar restos de comida.
A taxa foi abandonada porque os visitantes passaram a entender que o pagamento os dispensava de qualquer cuidado, afirma. Com a mudança anunciada pelo Airbnb, diz que pensa em voltar a cobrá-la. O valor é definido pelo anfitrião, como R$ 50 ou R$ 100, e pode ser repassado ao hóspede.
Para evitar problemas, ele verifica a nota do hóspede antes de aceitar a reserva. Com três estrelas, lê os comentários deixados por outros anfitriões. “Quando a estrela é baixa, nem aceito.”
A advogada Ana Paula Alves Duarte, 36, é anfitriã de três imóveis no Airbnb: uma casa em Araxá (MG), que administra à distância, e dois estúdios em São Paulo, geridos por uma empresa especializada. Ela afirma que, para quem terceiriza a gestão, o impacto financeiro das novas regras tende a ser pequeno, porque a taxa de limpeza fica com a empresa contratada e o custo não entra no cálculo do repasse ao proprietário.
O efeito maior, segundo ela, será sentido por quem administra o imóvel diretamente e tem casas grandes, que recebem de seis a dez pessoas. Nesses casos, diz, o volume de roupa de cama, toalhas e louça a cada saída é muito maior. O prazo de limpeza entre uma estadia e outra pode não ser suficiente. Ela afirma que esses anfitriões precisarão bloquear a agenda por pelo menos um dia entre hóspedes, reduzindo a ocupação e, por consequência, a receita.
Para a anfitriã, lavar a louça e tirar o lixo sempre foram uma gentileza pedida, e não uma obrigação.
Um hóspede descuidado, após diversas avaliações negativas, pode ficar sem conseguir novos aluguéis. Duarte também diz que a demanda por aluguéis curtos vem caindo. Na casa de Araxá, que até 2023 tinha agenda quase sempre cheia, hoje só fica ocupada aos fins de semana.
ENTENDA O QUE MUDOU NO AIRBNB

Fonte: FolhaPress

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