Data Mercantil

AfD modera posição sobre o euro e propõe reformas na União Europeia

Documento apresentado por Alice Weidel prioriza renegociação de tratados e mantém referendo como alternativa caso as reformas fracassem.

O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) está revendo seu discurso sobre a saída do país do euro e da União Europeia. A nova proposta estratégica prioriza a reforma do bloco, mas preserva a possibilidade de uma consulta popular caso a renegociação fracasse.

O reposicionamento ocorre à medida em que partidos de direita ganham força na Europa. A mudança reduz a centralidade da ruptura imediata e concentra a atuação da legenda na devolução de competências aos governos nacionais.

Alice Weidel apresenta proposta de reforma da União Europeia

Em outubro, a colíder da AfD, Alice Weidel, apresentou suas propostas no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, ao lado de aliados do grupo Europa das Nações Soberanas (ESN).

Divulgado como um “New Deal para a Europa”, o plano defende a renegociação dos tratados para estabelecer uma união mais flexível. A orientação afasta a saída imediata da Alemanha do centro da estratégia, deixando aberta a possibilidade de permanência no euro.

A proposta mantém a crítica à concentração de poderes nas instituições europeias. O objetivo declarado é construir uma “Europa das Pátrias”, com maior autonomia para os Estados-membros.

Saída do euro e Dexit deixam de ser prioridade imediata

A revisão altera a ordem das prioridades da AfD. O abandono da moeda única e o Dexit, expressão usada para a saída alemã da União Europeia, deixam de ocupar o centro da agenda imediata.

O documento concentra esforços na reforma das instituições e na redução da burocracia de Bruxelas. Defende maior soberania nacional em áreas como controle de fronteiras e política fiscal.

A mudança de ênfase não equivale a uma adesão ao atual modelo de integração. A AfD continua propondo uma redução das competências exercidas pelas instituições comunitárias.

Referendo permanece como alternativa

Caso as reformas e a renegociação dos tratados não avancem, o documento prevê submeter o futuro da relação da Alemanha com a União Europeia à decisão dos eleitores.

A proposta mantém, portanto, uma consulta popular como alternativa ao fracasso das negociações. A permanência no bloco e na união monetária continua vinculada às mudanças defendidas pela legenda.

Estratégia aproxima AfD de outras forças da direita europeia

A flexibilização do discurso aproxima a AfD da trajetória de partidos que reduziram a defesa de uma ruptura imediata com o euro.

Na França, o Rassemblement National passou a concentrar suas propostas na transformação das instituições europeias. O Fratelli d’Italia, na Itália, integra o movimento de partidos que abrandaram posições de ruptura para ampliar sua viabilidade política.

Essa aproximação estratégica não significa convergência integral entre as legendas. AfD e Rassemblement National, por exemplo, mantêm diferenças sobre política fiscal e o alcance das reformas europeias.

A proposta apresentada pela AfD prioriza a renegociação do funcionamento do bloco e mantém a decisão sobre uma eventual ruptura condicionada ao resultado desse processo.

Fonte: Reuters

Sair da versão mobile