
Crescimento no acumulado em 12 meses desacelerou para 1,4%, ante 1,6% até janeiro
As vendas do comércio brasileiro avançaram 0,6% em fevereiro na comparação com o mês anterior e subiram 0,2% sobre um ano antes, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 15. Veja aqui o detalhamento da pesquisa do IBGE.
Com o resultado, o varejo renovou o recorde de volume de vendas da série histórica iniciada em 2000, demonstrando resiliência em meio aos juros elevados, mas o desempenho ficou abaixo do esperado por economistas.
A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 1% na comparação mensal e de avanço de 1,2% sobre um ano antes.
O índice de média móvel trimestral ficou em 0,2%. No acumulado nos últimos 12 meses, o crescimento desacelerou para 1,4%, ante 1,6% até janeiro. “Com esse desempenho, o setor renova o recorde que tinha atingido no mês anterior para a série histórica, que começou no ano 2000”, ponderou o IBGE.
No comércio varejista ampliado, que inclui Veículos, motos, partes e peças, Material de construção e Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas cresceu 1% em fevereiro. Frente ao mesmo mês de 2025, houve queda de 2,2%. Em 12 meses, a retração é de 0,4%.
Destaques
Quatro das oito categorias do comércio apresentaram crescimento das vendas em fevereiro: Livros, jornais, revistas e papelaria (2,4%), Combustíveis e lubrificantes (1,7%), Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,1%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,3%).
As quedas ficaram por conta de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%), Tecidos, vestuário e calçados (-0,3%) e Móveis e eletrodomésticos (-0,1%).
De acordo com Cristiano Santos, gerente da pesquisa no IBGE, o resultado positivo neste ano foi alavancado pela “volta do protagonismo de atividades que ofertam produtos básicos do comércio, sobretudo atividades de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que têm um peso grande no indicador geral”.
Expectativas
Analistas acreditam que a economia brasileira deve continuar mantendo alguma força em 2026, em meio a um mercado de trabalho ainda forte e medidas de estímulo, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, que favorecem o consumo.
No entanto, o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã já pressionou os preços de transportes e alimentos em março, com o IPCA avançando 0,88% no mês, taxa mais alta em cerca de um ano.
No mês passado, o Banco Central reduziu a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas alertou para cautela em relação aos passos à frente devido à guerra no Oriente Médio.
O mercado projeta atualmente para o PIB (Produto Interno Bruto) uma alta de 1,85% em 2026 e de 1,80% em 2027. Ainda assim, o desempenho previsto segue abaixo do avanço de 2,3% do PIB que o Brasil registrou em 2025, que foi o pior desde 2020, segundo dados do IBGE.
Fonte: IstoéDinheiro