
Peter Magyar, líder do partido Tisza, declarou vitória na Hungria após os resultados parciais mostrarem que a sigla conquistaria 135 dos 199 assentos do parlamento. O resultado marca o fim de 16 anos de governo de Viktor Orbán, que era visto como um laboratório de políticas conservadoras na região.
Daniel Rittner, diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, detalha, durante o CNN Prime Time, que a derrota de Orbán representa uma mudança significativa para a Hungria e para a própria União Europeia.
“É uma eleição absolutamente paradigmática pelo que ela representa dentro da própria Europa e por se enxergar a Hungria como um laboratório na última década de políticas anti-imigração, anti-LGBT de uma direita mais conservadora”, explicou.
Rittner ressalta que não se deve interpretar a vitória de Magyar como um triunfo da esquerda ou de progressistas, já que o político é de centro-direita. Para ele, Orbán perdeu, acima de tudo, “para si mesmo”.
O diretor cita a economia cambaleante após a pandemia, com baixas taxas de crescimento e inflação relativamente alta para padrões europeus, além da percepção generalizada de corrupção no governo.
A Transparência Internacional classifica a Hungria como o país mais corrupto entre os 27 membros da União Europeia, e escândalos contribuíram para o desgaste do governo. “Orbán se associou a amigos e a uma elite extremamente corrupta e acabou gerando essa percepção do voto em Magyar como um voto antissistema”, observou.
Derrota da direita global
Rittner afirma que a derrota de Orbán também representa um revés para a direita global, que via na Hungria um modelo a ser seguido.
Políticos como Marine Le Pen, Geert Wilders e Matteo Salvini estiveram em Budapeste para expressar apoio a Orbán durante a campanha. A eleição foi acompanhada de perto pelo governo brasileiro, que observava possíveis articulações da direita para as eleições municipais de outubro no Brasil.
Fonte: CNN