Data Mercantil

Juros futuros disparam após decisão do Banco Central e alta do petróleo

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) iniciaram esta quinta-feira (19) em alta firme, com avanço próximo de 30 pontos-base nos vencimentos longos, após o Banco Central ter cortado a taxa de juros brasileira, a Selic, em 0,25% na noite de quarta-feira (18), mas adotado um discurso cauteloso em relação a futuras reduções, diante da guerra no Oriente Médio.
Às 10h31, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13.93%, com alta de 25 pontos-base ante o ajuste de 13.73% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14.19 %, com elevação de 29 pontos-base ante 13.9%.
As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.
Nesta semana, a instabilidade na curva de juros futuros levou o Tesouro Nacional a recomprar R$ 49 bilhões em títulos públicos, em uma tentativa de conter a volatilidade do mercado.
O mercado de juros futuros está pressionado porque, com a disparada das cotações do petróleo, a inflação no Brasil pode voltar a subir, forçando o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter os juros em patamares elevados por mais tempo ou com cortes mais espaçados, adotando uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.
A taxa básica de juros serve de referência para operações como empréstimos e financiamentos.
O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC anunciou na noite de quarta-feira o corte para 14,75% ao ano da taxa básica de juros, e disse estar dando início a um ciclo de “calibração” da política monetária, mas destacou o “forte aumento da incerteza” e o “distanciamento adicional” das projeções de inflação em relação à meta.
Em reação, a curva apresenta altas fortes em quase todos os vértices nesta manhã, com investidores ajustando posições tendo como norte a possibilidade de o BC manter a Selic em 14,75% em abril, caso a incerteza gerada pela guerra permaneça.
A alta dos preços do petróleo segue no foco, com a navegação no estreito de Hormuz ainda prejudicada, o que mantém as preocupações sobre os efeitos inflacionários da alta dos combustíveis nos países. Nesta manhã, o petróleo tipo Brent chegou a atingir US$ 119,11, alta de 10,92%
A disparada aconteceu depois que o Irã atacou instalações energéticas em todo o Oriente Médio, em resposta ao ataque de Israel ao seu campo de gás de South Pars.

Fonte: FolhaPress

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