Data Mercantil

A candidatura a contragosto de Haddad e o futuro do ministério da Fazenda

O rumo do ministro da Fazenda, Fernando Haddad parece enfim definido. Como era esperado desde o anúncio feito em dezembro, ele deixará o comando da Pasta na próxima semana. A decisão, comunicada a jornalistas ao chegar ao ministério há poucos dias, encerra um ciclo de três anos à frente da economia – e inaugura oficialmente a corrida sucessória dentro do governo federal.

Haddad disse que o atual secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, deverá assumir o posto, embora a confirmação oficial dependa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A transição vem sendo desenhada com cautela para evitar sobressaltos no mercado financeiro. Haddad foi enfático ao defender a competência técnica de seu número dois. Durigan tem uma relação “muito boa” com Lula, “de muita confiança”, e tem o domínio do ministério há muitos anos.

“É um grande gestor público. Eu acredito que ele me substituirá, mas é uma prerrogativa do presidente anunciar”, ponderou o ministro da Fazenda. A escolha de Durigan sinaliza uma aposta do Palácio do Planalto na continuidade das políticas fiscais e na manutenção da equipe que deu suporte às principais reformas do mandato.

A transição na economia ocorre quando há monitoramento atento por parte dos investidores, que veem em Dario Durigan a garantia de que as diretrizes estabelecidas por Haddad não sofrerão guinadas bruscas. Durigan, que já comandava a execução das pautas prioritárias da Pasta, possui o trânsito político necessário no Congresso Nacional e interlocução técnica com o Banco Central.

Embora Haddad tenha evitado confirmar publicamente o seu futuro, ou seja, a qual cargo irá concorrer nas eleições de outubro, o rumo será o governo paulista.

Provável nova disputa com Tarcísio

O ministro será o candidato do presidente Lula em São Paulo, informação confirmada pela IstoÉ com fontes do partido, sob condição de anonimato. Ex-prefeito da capital paulista, Haddad disputou este mesmo cargo em 2022, quando perdeu para o governador Tarcísio de Freitas no segundo turno.

Haddad afirmou diversas vezes que não pretendia concorrer a nenhum cargo em outubro, mas foi convencido por aliados e pelo próprio presidente. Lula conta com um palanque competitivo no maior colégio eleitoral do país para repetir o último pleito, quando a vantagem obtida na capital paulista e o bom desempenho no estado foram essenciais para garantir os 2,1 milhões de votos de vantagem sobre Jair Bolsonaro  no segundo turno da eleição presidencial. A estratégia do presidente, portanto, é pragmática: evitar comprometimento para o PT em São Paulo, o fiel da balança na reeleição presidencial.

A resistência inicial de Haddad em se candidatar novamente — após as derrotas para a prefeitura em 2016, para a Presidência da República em 2018 e para o próprio governo paulista em 2022 — foi suplantada pela necessidade partidária.

O ministro planejava atuar como coordenador da campanha de reeleição de Lula, mas o aumento nas projeções de uma eleição difícil para o governo federal elevou a cobrança interna. Entre os nomes avaliados para enfrentar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que desponta como favorito em todos os cenários, Haddad é o que apresenta o melhor desempenho numérico, superando outras alternativas governistas como o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.

Haddad disse que Alckmin e Tebet têm participado ativamente das discussões sobre a chapa em São Paulo. É um momento de estudo milimétrico relacionado à definição de próximos passos. O foco agora reside na construção de uma aliança que minimize a rejeição ao PT no interior paulista e maximize o capital político conquistado por Haddad durante sua gestão na Fazenda.

Fonte: IstoéDinheiro

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