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Após pressão dos EUA, Reino Unido enviará caças e defesa ao Oriente Médio

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou hoje que está reforçando seu apoio militar no Oriente Médio para neutralizar os ataques retaliatórios do Irã contra outros países da região no conflito com os EUA e Israel.
Starmer detalhou que enviará quatro caças Typhoon ao esquadrão britânico no Qatar. As declarações foram dadas durante uma coletiva de imprensa hoje para atualizar as informações sobre a escalada da situação.
O político falou ainda que reforçará o sistema de defesa aéreo do Chipre. Segundo ele, helicópteros Wildcat com capacidade anti-drone chegarão ao país amanhã, enquanto o navio HMS Dragon será enviado para o Mediterrâneo.
O premiê afirmou que o Reino Unido permitiu nesta semana que os EUA utilizassem bases britânicas para operações defensivas. “Manteremos essa proteção sobre o povo britânico na região e sobre nossos aliados”, falou em discurso.
Ao mesmo tempo, Starmer enfatizou que fez questão de impedir que o Reino Unido participasse do ataque inicial conjunto entre EUA e Israel contra o Irã. Para ele, a melhor solução seria um “acordo negociado com o Irã, no qual eles renunciassem às suas ambições nucleares”. “Foi por isso que tomei a decisão de que o não participaria do ataque inicial. Essa decisão foi deliberada. Era do interesse nacional. E eu a mantenho”, acrescentou.
Donald Trump vinha se irritando com a suposta passividade britânica em relação ao conflito. “Meu foco é proporcionar uma liderança calma e ponderada no interesse nacional, isso significa ter a força para nos mantermos firmes em nossos valores e princípios, independentemente da pressão para fazermos o contrário”, rebateu Starmer, sem mencionar o republicano.
O líder britânico entende, ao mesmo tempo, que a “situação mudou”. Apesar de não ter participado do ataque inicial, ele disse entender que as coisas se alteraram quando o “Irã começou a atacar países do Golfo e da região em geral”.
Na terça-feira, Trump declarou que a relação entre as duas nações “não é mais como era”. O primeiro-ministro britânico havia dito ao Parlamento que seu governo “não acredita em mudanças de regime vindas do céu”, frase que irritou a Casa Branca e foi interpretada por Trump como um recuo britânico num momento de escalada no Oriente Médio.
Presidente americano falou que Reino Unido estava sendo “pouco prestativo”. Em entrevista ao tabloide britânico “The Sun”, Trump lamentou o desgaste: “Era a relação mais sólida de todas. E agora temos relações muito fortes com outros países da Europa”, disse, citando França e Alemanha.
Membros do governo britânico tentam agora equilibrar a necessidade de apoiar os aliados e, ao mesmo tempo, evitar posições que possam arrastar o país para um novo conflito. Darren Jones, ministro do governo, afirmou que qualquer participação britânica deve ter “base legal” e um “plano claro” que sirva ao interesse nacional.

Fonte: FolhaPress

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