
A Portobello, fabricante de revestimentos cerâmicos fundada há quase 50 anos em Tijucas, no interior de Santa Catarina, vai abrir a sua primeira loja conceito. O local funcionará não só como ponto de vendas, mas também de exibição de produtos, recepção de clientes, designers, arquitetos e parceiros comerciais, além da realização de eventos.
A iniciativa é uma tendência cada vez maior do setor, onde indústrias e varejistas têm investido na experiência do cliente e fortalecimento das marcas. O espaço da Portobello terá cafeteria, degustação de chocolates e a presença de um concierge para receber a clientela.
O local escolhido para a nova unidade foi a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, área nobre da cidade de São Paulo e point de lojas de decoração e design. A loja ficará em um edifício de quatro andares, com 2 mil metros quadrados. O projeto arquitetônico é assinado por Isay Weinfeld, que já desenhou lojas conceito para Havaianas e Livraria da Vila, além de hotéis da rede Fasano, entre outros.
“Entendemos que era importante construir a primeira flagship para apresentar ao mercado uma experiência diferenciada de compra. Essa inovação chegou na forma de uma loja física”, afirmou Romael Soso, vice-presidente de Varejo e Inovação da Portobello. “A empresa está beirando 50 anos e queremos elevar o patamar da marca”, acrescentou.
A Portobello foi fundada em 1979 em Tijucas, uma cidade com menos de 60 mil habitantes. A atividade cerâmica, comum na região, foi o ponto de partida para o nascimento do grupo, que hoje comercializa revestimentos, louças e metais sanitários, exportando para dezenas de países.
Além disso, conta com 160 lojas físicas, das quais 29 são próprias e 131 franquias. O comércio eletrônico não está no radar, dados os custos elevados de frete para materiais de construção.
As vendas de produtos cerâmicos no mercado brasileiro caíram ao longo do ano passado, devido, principalmente, aos juros altos da economia brasileira, que inibem os gastos das famílias com reformas e construções. Ainda assim, a Portobello conseguiu ampliar em 4,4% a receita entre janeiro e setembro, dando mostras de consistência comercial, apontou Soso. Nos últimos meses, o cenário permaneceu desafiador. “O mercado continua na mesma batida, mas buscamos novos caminhos”, disse.
A suspensão do aumento da tarifa de exportação para os Estados Unidos, se mantida conforme decisão da justiça de lá, deve ajudar na recuperação das vendas de revestimentos cerâmicos no Brasil. O segmento foi um dos mais prejudicados pelo tarifaço norte-americano. “Desde que as tarifas foram impostas, no ano passado, viraram um desafio muito grande para todo o mercado. Em se confirmando a suspensão, será um vento a favor, uma barreira a menos”, afirmou o executivo.
Fonte: Estadão Conteúdo