
Ministro da Secom, Sidônio Palmeira, vira alvo de aliados do presidente
A pesquisa Atlas/Bloomberg, que mostra empate no segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), levou assessores do presidente Lula no governo e no PT a defenderem uma guinada ao centro na pré-campanha.
Isso consistiria, por exemplo, em tentar dialogar mais com o eleitorado moderado independente de centro, que vem decidindo as últimas eleições, sem, porém, agredir a defesa histórica do petismo em algumas agendas.
Por exemplo, na pauta da segurança pública. A percepção é que, até hoje, o governo Lula não conseguiu encaixar um discurso para convencer o eleitorado de que tem solução para aquele que é apontado nas pesquisas como a maior preocupação do brasileiro.
Uma fonte relatou à CNN que não é preciso adotar o discurso da direita de “bandido bom é bandido morto”, mas que é possível ser mais firme na defesa de punição a criminosos.
Outro exemplo dado é na tentativa de uma melhor relação com os evangélicos, algo que o desfile da Acadêmicos de Niterói dificultou consideravelmente ao criticar o público conservador.
O entendimento é de que não bastam encontros pequenos com lideranças evangélicas já alinhadas ao Planalto, como o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), mas sim buscar lideranças como Otoni de Paula (MDB-RJ).
A comunicação do governo também foi criticada por interlocutores do presidente, em especial a estratégia digital.
O caso do desfile da Acadêmicos de Niterói é utilizado como exemplo de como o governo e a pré-campanha têm dificuldades de partir para o embate contra a oposição.
Um documento interno do governo, ao qual a CNN teve acesso, mostrou, por exemplo, que menções ao samba-enredo apareceram sobretudo a partir de perfis associados à oposição e ganharam tração via perfis humorísticos, com sátiras e críticas.
O estudo mostrou, por exemplo, que os 500 posts mais engajados sobre o tema, só no Instagram, somaram cerca de 3,5 milhões de interações, convergindo para a narrativa de crime eleitoral pelo uso de recursos públicos, com expectativa de eventual punição ao presidente.
Nos rankings de autoridades do governo ou alinhadas ao governo no Congresso, a derrota é grande. Dos 15 parlamentares considerados no documento como mais fortes, apenas uma é próxima à esquerda: Tabata Amaral. O restante é todo próximo a Flávio Bolsonaro.
O desempenho dos ministros do governo nas redes também é considerado ruim, à exceção de Guilherme Boulos e Gleisi Hoffmann.
Fonte: CNN