
O empresário e filantropo Bill Gates, fundador da Microsoft e da Gates Foundation, desculpou-se por manter ligações com Jeffrey Epstein durante uma reunião interna com todos os funcionários da Fundação. Ele admitiu diversos erros que impactaram a reputação da organização, incluindo dois casos extraconjugais, porém negou ilegalidades. “Eu não fiz nada ilícito, não vi nada ilícito”, disse.
As informações são do Wall Street Journal, que teve acesso a imagens da reunião realizada na última terça-feira. Na ocasião, Gates relatou que sua relação com o criminoso iniciou em 2011, cerca de três anos após Epstein confessar ter contratado uma prostituta menor de idade. O fundador da Microsoft afirmou que sabia sobre restrições legais que impediam Epstein de viajar, mas que não investigou adequadamente seu passado.
“É definitivamente o oposto dos valores e dos objetivos da Fundação”, disse Gates. “E o nosso trabalho é muito sensível à reputação. Quero dizer, as pessoas podem escolher trabalhar conosco ou não.”
A relação entre os dois teria como um dos propósitos captar recursos para a Gates Foundation. Epstein “falava sobre o tipo de relacionamento íntimo que mantinha com muitos bilionários, particularmente os bilionários de Wall Street”, explicou Gates.
O convívio de Epstein com pessoas de prestígio “tornou mais fácil acreditar que era uma situação normalizada”. Ao mesmo tempo, a proximidade com Gates reforçava ainda mais a reputação do abusador sexual condenado.
Melinda Gates e os casos extraconjugais
Em 2013, a então esposa de Bill Gates, a filantropa Melinda Gates, mostrou-se preocupada com a relação entre o marido e Jeffrey Epstein. “Para dar o devido crédito, ela sempre foi um tanto cética sobre a coisa toda do Epstein”, disse o empresário na reunião.
Apesar disso, ambos continuaram se encontrando até 2014, chegando a voar juntos em um jato privado de Epstein e a passar tempo juntos na Alemanha, França, Nova Iorque e Washington. Gates negou, no entanto, que tenham passado qualquer noite juntos ou visitado a ilha de Epstein.
Os casos extraconjugais não teriam relação com a rede de mulheres de Epstein. “‘Eu tive de fato casos, um com uma jogadora de bridge russa que me conheceu em eventos do esporte, e um com uma física nuclear russa que conheci por meio de atividades de negócios”, Gates disse à equipe.
A física nuclear teria trabalhado em uma das empresas de Gates, mas não ficou claro se o caso ocorreu durante o período em que ela era sua subordinada.
Chantagem e fim da relação com Epstein
Sobre as fotos nos arquivos de Epstein em que aparece ao lado de mulheres com os rostos borrados, Bill Gates afirmou que se deixava fotografar ao lado de assistentes do predador sexual por pedido dele. “Para ser claro, eu nunca passei tempo com as vítimas, nem com as mulheres ao redor dele”, disse.
Após descobrir as traições de Gates, o abusador sexual condenado teria planejado uma chantagem. “Bill corre o risco de passar de homem mais rico a maior hipócrita; Melinda, a motivo de piada; e as promessas de doação desaparecerão como resultado”, escreveu ele em duas mensagens dos arquivos Epstein. Sobre as amantes, afirmou que elas corriam “o risco de virar sensações da noite para o dia”.
Em 2013, cerca de três anos após Bill Gates conhecer a jogadora de bridge, Epstein teria encontrado a mulher e pagado para que ela estudasse programação. Posteriormente, em 2017, ele pediu por e-mail que Gates reembolsasse o valor gasto pelos cursos pagos.
O último encontro entre Gates e Epstein teria ocorrido em 2014. O fundador da Microsoft afirmou que parou de responder aos e-mails de Epstein a partir daí.
“Foi um erro enorme passar tempo com Epstein” e levar executivos da Fundação Gates para reuniões com ele, disse Gates. “Peço desculpas às outras pessoas que foram arrastadas para isso por causa do erro que cometi.”
“Saber o que eu sei agora torna tudo cem vezes pior, não apenas em termos dos crimes que ele cometeu no passado, mas agora está claro que havia um mau comportamento contínuo”, concluiu.
Fonte: IstoéDinheiro