Data Mercantil

CEO da Embraer Aviação Comercial busca aumentar produção após salto de pedidos

O plano prevê um aumento de quase 30% nas entregas e na ‌produção subjacente nos próximos 24 meses
 A fabricante de aviões ‍Embraer (EMBJ3) tem como objetivo restaurar as entregas anuais aos níveis ⁠anteriores à pandemia de cerca de 100 unidades nos próximos dois anos e, em ‍seguida, crescer ainda mais após um aumento expressivo de pedidos para suas aeronaves regionais, disse seu principal executivo comercial.

O plano prevê um aumento de quase 30% nas entregas e na ‌produção subjacente nos próximos 24 meses, em comparação com o ano passado, quando a Embraer entregou 78 jatos comerciais, atingindo apenas sua previsão de 77 a 85 unidades.

‘A primeira meta é voltar a 100 entregas, mas com a demanda que temos atualmente e os resultados de vendas… provavelmente teremos que ir além disso’, disse Arjan Meijer, presidente-executivo da Embraer Aviação Comercial, à Reuters.

Apesar de ‌ter perdido uma competição politicamente carregada na Polônia para a Airbus, a Embraer quadruplicou as vendas ‌de sua série E2 no ano passado, superando o A220 da fabricante de aviões europeia em três vezes, com 131 pedidos líquidos, incluindo compras da All Nippon Airways e da Latam.

Apesar das incertezas geopolíticas, a demanda é intensa, pois as companhias aéreas estão em dia com as substituições de frota deixadas de lado durante a pandemia da ‌Covid-19, disse Meijer.

‘Se estou preocupado com certos acontecimentos globais? Sim, com certeza, estamos atentos a isso, mas não vemos a demanda caindo’, disse ele em uma entrevista por telefone ​antes da conferência Airline Economics desta semana em Dublin.

LENTO AVANÇO NO DESENVOLVIMENTO DE NOVOS MODELOS

Meijer disse que as cadeias de suprimentos melhoraram, mas precisam voltar à estabilidade em 2026. Os motores e as estruturas aeronáuticas estão entre um conjunto variável de componentes afetados por interrupções.

Ainda assim, ele disse que a Pratt & Whitney, fabricante de motores dos EUA, superou amplamente a escassez e os gargalos de manutenção.

Isso contrasta com o agravamento da disputa entre a Airbus e a Pratt & Whitney sobre a escassez dos motores Geared Turbofan, que também são usados para alimentar parte de sua família A320neo.

Meijer disse que a variante usada no E2 era menos propensa a problemas ​de durabilidade porque o avião é ⁠menor e mais leve ⁠e entrou em serviço mais tarde, evitando problemas iniciais.

O número de aviões imobilizados devido a atrasos na manutenção caiu para ‌apenas um dígito, de um pico entre 25 e 40, disse ele, acrescentando que espera que esse número chegue a zero até o final deste ano.

Meijer se recusou a comentar as notícias de que a Embraer está prestes a anunciar um acordo ‍histórico para a montagem de aviões na Índia.

Uma fonte com conhecimento do assunto disse à Reuters em Nova Délhi na semana passada que o braço aeroespacial do ​bilionário Gautam Adani planejava anunciar ‌uma parceria com a fabricante de aviões brasileira.

A iniciativa ocorre no momento em que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula ‍da Silva se prepara para visitar a Índia no próximo mês.

Com relação a futuros desenvolvimentos, Meijer indicou que a Embraer não tinha pressa em iniciar o desenvolvimento de um sucessor para sua linha de aeronaves e que, por enquanto, estava se concentrando na tecnologia associada.

‘Estamos analisando todas as opções’, disse ele. ‘Uma nova plataforma para um (fabricante) é uma decisão importante e teremos que agir com calma e cuidado.’

Fonte: Reuters

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