Data Mercantil

BC mantém Selic em 13,75%, não sinaliza corte da taxa, mas diz ser “menos provável” novos aumentos

O Banco Central decidiu nesta quarta-feira manter a Selic em 13,75% ao ano, sem sinalizar um possível corte futuro da taxa básica, e reiterou que não hesitará em retomar o ciclo de aperto monetário se necessário, apesar de ponderar que um cenário de novos aumentos nos juros agora é “menos provável”.

“O Copom enfatiza que, apesar de ser um cenário menos provável, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”, informou o comunicado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Na primeira reunião do Copom após a formalização da proposta de arcabouço fiscal pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, o comunicado do BC afirmou que a apresentação da nova regra reduziu parte da incerteza, mas disse que em meio a um cenário de expectativas de inflação desancoradas ainda é necessário atenção e paciência na condução da política monetária.

A autoridade monetária manteve a simetria entre fatores que geram risco de baixa e de alta para a inflação, mantendo o fiscal entre os riscos de elevação dos preços.

Mesmo com o arcabouço já apresentado pelo governo, o Copom afirmou que há incerteza sobre o desenho final da norma a ser aprovada pelo Congresso e, “de forma mais relevante para a condução da política monetária”, seus impactos sobre as expectativas para as trajetórias da dívida pública e da inflação, e sobre os ativos de risco.

A opção pela manutenção da Selic ocorreu horas após o Banco Central dos Estados Unidos ter anunciado uma elevação em sua meta de juros em 0,25 ponto percentual, sinalizando uma possível pausa nos aumentos.

EXPECTATIVAS

Embora os preços ao consumidor anualizados tenham esfriado nos últimos meses, atingindo 4,65% em março, as expectativas do mercado para a inflação pioraram desde a reunião de política monetária de março. No comunicado, porém, o BC retirou o trecho em que enfatizava a piora das expectativas.

O BC manteve suas projeções para os preços em relação à reunião de março. A autoridade monetária informou que, em seu cenário de referência, as estimativas para a inflação estão em 5,8% para 2023 e 3,6% em 2024, mesmos patamares previstos na reunião anterior.

O cenário de referência do BC leva em conta a trajetória para os juros sinalizada por analistas do mercado na pesquisa Focus –a qual tem apontado a expectativa de corte de juros a partir de setembro deste ano.

Em cenário alternativo, no qual o BC deixa a Selic constante ao longo de todo o horizonte relevante, a projeção da autarquia também foi mantida em 2023 (5,7%), e reduzida de 3,0% para 2,9% em 2024.

A autoridade monetária reafirmou que a inflação ao consumidor e a inflação subjacente (que desconsidera fatores de maior volatilidade) seguem acima do intervalo compatível com o cumprimento das metas.

Os alvos para a inflação estão estabelecidos em 3,25% neste ano e 3,00% em 2024 e 2025, em todos os casos com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

A manutenção da Selic pela sexta reunião consecutiva –apesar de pressões do governo por cortes da taxa– foi decidida por unanimidade pela diretoria do BC. A diretora Carolina de Assis Barros não participou do encontro por motivo de falecimento de um familiar.

A decisão do Copom veio em linha com a expectativa do mercado, de acordo com pesquisa Reuters, segundo a qual todos os 40 economistas consultados esperavam manutenção do patamar.

O presidente Lula vem pedindo repetidamente que os custos dos empréstimos fiquem mais baixos, argumentando que o atual patamar inviabiliza a tomada de empréstimos no país.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem argumentado que o governo vem adotando medidas que abrem caminho para redução dos juros, como medidas anunciadas para ampliar a arrecadação e a proposta de arcabouço fiscal.

Com a decisão, o BC manteve a Selic a um patamar 11,75 pontos acima da mínima histórica de 2% ao ano, atingida durante a pandemia de Covid-19 e que vigorou até março de 2021. A taxa básica segue no nível mais alto desde janeiro de 2017, quando também estava em 13,75% ao ano.

Fonte: Reuters

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